Policiais federais prestam depoimento em julgamento sobre morte do menino João Pedro
Audiência acontece na tarde desta quarta-feira (24). O adolescente de 14 anos foi baleado dentro da casa do tio durante uma operação das polícias Federal e Civil, no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, em 2020
João Pedro: tiro em ação policial - Arquivo Pessoal
Rio - Cinco policiais federais devem prestar depoimento, como testemunhas, na tarde desta quarta-feira (24), em uma nova audiência do julgamento que apura a morte do menino João Pedro Mattos Pinto.
Segundo o Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ), com esses, vão faltar outras nove testemunhas do caso, que são policiais civis e devem ouvidos na próxima audiência, marcada para o dia 12 de julho.
João Pedro foi morto aos 14 anos, durante uma operação conjunta das polícias Civil e Federal no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio.
De acordo com as investigações, o parquet fluminense concluiu que o tiro que matou João Pedro partiu da arma de um dos agentes e três policiais foram denunciados por homicídio doloso e fraude processual. Além disso, a casa do tio do jovem, onde ele estava quando foi atingido, ficou com mais de 70 marcas de tiros.
Julgamento
Depois da morte de João Pedro, em 2020, a denúncia do Ministério Público do Rio (MPRJ) foi apresentada em dezembro de 2021. Segundo o TJRJ, duas audiências de instrução já foram realizadas em 2022, em setembro e novembro, para ouvir testemunhas.
No caso, os os policiais civis Mauro José Gonçalves, Maxwell Gomes Pereira e Fernando de Brito Meister, lotadores na Core à época, são réus por homicídio duplamente qualificado e por fraude processual.
Ainda de acordo com o TJRJ, a defesa dos réus, os policiais conseguiram três habeas corpus que limitaram o número de testemunhas em 16. Eles, que se forem condenados podem pegar penas de até 34 anos de prisão, ainda não foram ouvidos pela Justiça.
Defesa pede júri popular
Rafaela e Neilton da Costa Pinto, pai do adolescente, participaram de uma audiência na sede do Ministério da Igualdade Racial, na última quinta-feira (18), em Brasília. Eles aproveitaram a cerimônia para pedir mais rapidez nas investigações e levar um abaixo-assinado com mais três milhões de assinaturas cobrando providências no caso: "Eu e meu marido estamos em Brasília, a Chang.org vai entregar a petição com milhões de assinaturas. Nós queremos que esses policiais vão a júri popular".
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