Bruno de Souza Rodrigues foi denunciado pelo MPRJ pela morte do ator Jeff Machado Reprodução / Redes Sociais

Rio - O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) negou o pedido de liberdade da defesa de Bruno de Souza Rodrigues, que está preso preventivamente por envolvimento na morte do ator Jeff Machado, ocorrida em janeiro deste ano. Na liminar, os advogados alegaram constrangimento e falta dos requisitos necessários, uma vez que não teria havido interferência nas investigações. Ele foi preso no dia 15 de junho, no Morro do Vidigal, Zona Sul da cidade.
Jairo Magalhães, advogado assistente de acusação, no entanto, pontua a necessidade do réu continuar preso: "Bruno criou personagem, cometeu oito crimes e ainda se passou pelo Jefferson. Durante as investigações, ele também tentou entrar em contato com testemunhas. Toda essa conduta criminosa demonstra claramente a necessidade concreta da prisão preventiva, visando assegurar a ordem pública, especialmente considerando que ele permaneceu foragido por um período de tempo".
A prisão preventiva de Bruno foi decretada no dia 31 de julho, quando o juízo da 1ª Vara Criminal da Capital, do Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ), recebeu a denúncia do Ministério Público (MPRJ). De acordo com informações do processo, Bruno Rodrigues teria destruído aparelhos e chips telefônicos e entrado em contato com testemunhas para influenciar seus depoimentos na polícia.

"Relevante ressaltar, ainda, as declarações do denunciado Jeander, nas quais admite sua participação no homicídio de Jefferson e confirma a tentativa de eliminação de provas. A tentativa de influência nas declarações das testemunhas evidencia a necessidade de preservação da fonte testemunhal de prova, com a garantia de um ambiente de tranquilidade, livre de qualquer influência ou temor que certamente seria impossível garantir, senão pela manutenção de sua custódia cautelar", destacou a decisão.
Entenda o caso
O corpo de Jeff foi encontrado concretado em um baú enterrado numa casa em Campo Grande, Zona Oeste do Rio, em maio deste ano. Segundo o MPRJ, em 23 de janeiro, Bruno ministrou substância entorpecente na bebida do ator antes de subirem ao segundo andar da casa de Jefferson, no bairro de Campo Grande, também em companhia de Jeander Vinicius da Silva Braga, onde deram início a uma relação sexual. Em meio ao ato, quando a vítima se encontrava de costas, Bruno estrangulou o pescoço de Jefferson com um cabo de aparelho de telefone, provocando sua morte.
Segundo a acusação, Jeander foi o responsável por distrair o ator para que Bruno pudesse atacá-lo. Os denunciados levaram, então, o corpo em um baú e o enterraram em terreno na parte da frente de uma quitinete alugada por Bruno no mesmo bairro, onde, posteriormente, concretaram. A ação também descreve os fatos e motivos que levaram ao crime.
A partir de 2019, Bruno prometeu falsamente a Jefferson a compra de uma vaga para ator em uma emissora de televisão, no valor de mais de R$ 18 mil, alegando que seria repassado a um suposto produtor/diretor da emissora. O dinheiro não foi devolvido e tampouco houve a contratação. Ainda de acordo com a promotoria, tratava-se de uma armadilha criada para obter vantagens financeiras ilícitas da vítima. Na iminência de ser descoberto, Bruno matou a vítima.
Dias depois do homicídio, a investigação demonstrou que Bruno de Souza se passou por Jefferson e utilizou a senha do cartão de crédito dele para efetuar compras em estabelecimentos comerciais e anunciou a venda do carro da vítima em agências de automóveis. Houve ainda invasão ao telefone da vítima, por meio do qual, Bruno se atribuiu falsa identidade para manter diálogos com familiares e amigos da vítima, e terceiros para benefício próprio.
A denúncia descreve também que os acusados praticaram maus-tratos contra animais domésticos ao abandonarem oito cães de raça pertencentes ao ator, em um terreno vazio, sem alimentação e cuidados de higiene, quando dois morreram e um desapareceu.
Três pessoas são indiciadas
Delegacia de Descoberta de Paradeiros (DDPA) concluiu o inquérito que investigou o desaparecimento, homicídio e ocultação de cadáver de Jefferson Machado. Apontado como mentor do crime, Bruno foi indiciado por homicídio triplamente qualificado por motivo fútil, asfixia e por impossibilidade de defesa da vítima; ocultação de cadáver; estelionato e tentativa de estelionato; furto; invasão de dispositivo informático; maus-tratos a animais e falsa identidade.
Já Jeander Vinicius vai responder por homicídio triplamente qualificado por motivo fútil, asfixia e por impossibilidade de defesa da vítima; ocultação de cadáver e maus-tratos a animais; enquanto o terceiro homem, que não foi identificado, pelo crime de maus-tratos a animais.