Agentes da Decon cumprem 15 mandados em endereços no Rio e Duque de CaxiasReprodução

Rio - A Polícia Civil cumpriu 15 mandados de busca e apreensão, nesta segunda-feira (25), contra empresários, médicos e advogados envolvidos em fraudes em planos de saúde. A Operação Bisturi mirou um esquema criminoso que, desde 2021, provocou prejuízos estimados em R$ 50 milhões para operadoras. Os agentes estiveram em endereços de Ipanema e Leblon, na Zona Sul, além de na Barra da Tijuca e Jacarepaguá, na Zona Oeste, e em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. 
O principal alvo da operação é o empresário Leandro Gonzaga da Cunha, que chegou a ser conduzido para prestar esclarecimentos na Delegacia do Consumidor (Decon), na Cidade da Polícia, no Jacaré, Zona Norte. Ele foi ouvido e liberado. A ação também mirou outros dez investigados, entre parentes dele e pessoas ligadas às empresas Fortmed e Medivitale, ambas fornecedoras de produtos hospitalares. A operação apreendeu documentos, celulares e outros aparelhos eletrônicos para análise de dados.
As investigações da Decon apontam que advogados apresentavam na Justiça ações com pedido de liminares para acelerar a aprovação de procedimentos cirúrgicos superfaturados, que seriam pagos pelos planos, para o grupo ficar com os valores indevidos. As fraudes também aconteciam por meio pedidos de falsas cirurgias; reembolso de serviços não realizados; superfaturamento de órteses, próteses e materiais especiais (OPME); e emissão de documentos falsos usando nomes de médicos já mortos. Entre as operadoras lesadas estão Bradesco Saúde, Amil, SulAmérica, Golden Cross, entre outros.
Em nota, a Bradesco Saúde declarou que "repudia e atua fortemente contra a prática de fraudes no setor de saúde suplementar, que impactam todo o sistema, prejudicando tanto operadoras quanto os beneficiários". Já a SulAmérica informou que "todos os seus esforços estão voltados para a preservação da saúde e do bem-estar de seus beneficiários, bem como para a sustentabilidade de todo o sistema de saúde" e, para combater fraudes, "utiliza tecnologia e inovação, protegendo mais de 5 milhões de usuários e garantindo que sejam atendidos por profissionais competentes e qualificados".
Em nota, a Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge) informou "que os esquemas fraudulentos colocam em risco toda a cadeia envolvida no setor de saúde". Veja a íntegra:
"Os pacientes se colocam em risco ao escolher condutas médicas duvidosas, as operadoras de saúde e todos os seus beneficiários, enquanto coletividade, também são prejudicadas, uma vez que essas fraudes são custeadas pelo fundo mutual.
A Associação orienta que os usuários de planos de saúde tenham cuidados constantes com logins e senhas de acesso às plataformas dos planos, somado a solicitação de segunda opinião médica junto ao plano de saúde, que possa fortificar a necessidade da cirurgia, ou que evidenciar uma fraude.
A Abramge reforça ainda, que em 2025, a CPI da Máfia das Próteses contra as fraudes de um mercado de OPME (órteses, próteses e materiais especiais) completará dez anos, e que apesar de neste período ter existido iniciativas regulatórias por parte da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), ainda não se tem aprovação do Projeto de Lei (PL-2452/2015) que tipifica estas fraudes como crime, com extrema importância na inibição destes mecanismos fraudulentos."
A reportagem de O DIA tenta contato com as defesas de Leandro Gonzaga da Cunha e das empresas Fortmed e Medivitale. O espaço está aberto para manifestação.