Rio - Uma mostra educativa no Centro Cultural Banco do Brasil, no Centro do Rio, celebra os 90 anos da ativista e professora Lélia Gonzalez (1935-1994), apresentando às novas gerações um pouco do legado da pensadora. Com entrada franca, a exposição, que reúne 18 painéis com informações sobre sua vida e obra, fica aberta à visitação até o dia 7 de abril.
A iniciativa integra o projeto Memória Lélia Gonzalez, que destaca a luta antirracista e antissexista da homenageada. A abertura contou com um ciclo de palestras nos últimos dias 3 e 4, com a participação das escritoras Conceição Evaristo e Sueli Carneiro, além de outras personalidades.
"A exposição foi pensada para dar, em poucos minutos de visitação, um olhar bem geral sobre a vida e obra de Lélia. Com 18 painéis que retratam desde o seu nascimento à formação acadêmica na cidade do Rio e, também, o legado pelo mundo. Como é nosso objetivo levar os alunos do ensino médio a visitar essa exposição, esse formato dá conta de evidenciar principais aspectos da produção intelectual e toda a luta de Lélia junto aos movimentos socias, a batalha que é ser uma mulher negra buscando o seu espaço e estudos... Após a visita, os alunos são convidados a assistirem ao documentário com 32 minutos que já os traz para esse aprofundamento. Todo o material está disponível no site do projeto e conta com acessibilidade de libras, áudio descrição, audiobook e tudo disponível para download", explica o produtor executivo do projeto, Cléo Assis.
Trajetória
Nascida em Belo Horizonte, Lélia se mudou para o Rio aos 7 anos. Graduou-se em História e em Geografia pela então Universidade do Estado da Guanabara, hoje Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Foi professora de Ensino Médio e, aos 30 anos, começou a estudar Psicanálise.
Fundou o Instituto de Pesquisa das Culturas Negras e o Colégio Freudiano do Rio, em 1975, além de criar o primeiro curso institucional de cultura negra do Brasil. Ainda nos anos 70, participou do Grêmio Recreativo de Arte Negra e Escola de Samba Quilombo e foi uma das fundadoras do Movimento Negro Unificado.
Concorreu ao cargo de deputada federal pelo Partido dos Trabalhadores (PT) em 1982 e trabalhou como assessora da então vereadora de primeiro mandato Benedita da Silva.
Serviço:
O CCBB fica na Rua Primeiro de Março, 66, no Centro. O espaço funciona de quarta à segunda, das 9h às 20h, e a classificação é livre.
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