O PM foi condenado a 10 anos e 10 meses pelo crime cometido em 2018Pixabay
PM é condenado por matar jovem em comunidade de Niterói há seis anos
Cena do crime foi forjada na época
Rio - O policial militar Jorge Roberto de Sá Ayres foi condenado a 10 anos e 10 meses em regime fechado pelo homicídio qualificado de Ian da Silva Dias, então com 21 anos, em junho de 2018, durante ação policial no Morro do Pimba, em Niterói, Região Metropolitana. A sentença foi fixada na 3ª Vara Criminal do município, na madrugada desta quarta-feira (19).
De acordo com acusação oferecida pelo Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (Gaesp/MPRJ), o jovem era inocente e foi atingido por três disparos feitos pela polícia, durante um confronto com traficantes locais, enquanto passava nas proximidades. Além disso, o PM e comparsas forjaram a cena do crime para incriminar a vítima.
Segundo os promotores do MPRJ, ficou comprovado que os agentes colocaram uma arma e uma mochila com drogas junto ao corpo para simular que Ian seria traficante e teria participado da troca de tiros. O jovem era portador da Síndrome de Marfan, uma doença degenerativa que provoca danos nos olhos, nos vasos sanguíneos, nos pulmões e nos ossos, o que reduzia a mobilidade dele.
Ao justificar a pena, o Juízo da 3ª Vara Criminal de Niterói mencionou culpabilidade acentuada do crime e "alto grau de reprovabilidade", já que o PM "tendo ciência inequívoca da ilicitude de sua conduta, não se intimidou com a prática do crime".
O MPRJ destacou ainda que foram levados em consideração o fato de o crime ter sido cometido por motivo torpe – já que o condenado atirou apenas por suspeitar que o jovem era criminoso – e os danos psicológicos causados à mãe e à irmã da vítima. Elas entraram em um quadro de grave depressão e passaram a precisar de acompanhamento psiquiátrico.

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