Vitor Vieira Belarmino fugiu sem prestar socorro ao fisioterapeuta Fábio Toshiro KikutaRede Social
Réu por morte de fisioterapeuta não poderá depor por vídeo, diz juíza
Influenciador Vitor Vieira Belarmino, acusado de atropelar e matar Fábio Toshiro, continua foragido
Rio - A juíza Alessandra da Rocha Lima Roidis, da 1ª Vara Criminal da Capital, negou o pedido da defesa do influenciador Vítor Vieira Belarmino para que ele participasse por videoconferência da audiência de instrução do processo em que é acusado de atropelar e matar o fisioterapeuta Fábio Toshiro.
Vítor está foragido desde outubro de 2024 e foi denunciado pelo crime ocorrido em julho do mesmo ano, no Recreio dos Bandeirantes, Zona Oeste do Rio. A vítima morreu ao ser atropelada enquanto atravessava a Avenida Lúcio Costa, horas após seu casamento.
Na decisão, proferida na quinta-feira (11), a magistrada destacou que o Código de Processo Penal não prevê o direito de participação por videoconferência para réus foragidos — recurso reservado apenas a réus presos ou já qualificados em juízo, e apenas em caráter excepcional.
Ela ressaltou, ainda, que a negativa não impede Vítor de comparecer presencialmente às audiências, mas reforça que ele não poderá participar remotamente enquanto permanecer em condição de fuga.
"Reforce-se, por óbvio, que não está sendo indeferido o direito de presença do réu à audiência de instrução e julgamento, mas tão somente o pedido de disponibilização de link para o réu foragido, vez que o ato será realizado de forma presencial, tendo em vista que tal medida culminaria, em verdade, na anuência do Judiciário em permitir que o réu se furte da aplicação da lei penal, o que não será admitido por este Juízo", concluiu.
Durante a audiência, oito testemunhas foram ouvidas, entre elas a viúva da vítima, Bruna Villarinho Kikuta. Também prestaram depoimento o delegado responsável pela investigação, Rodrigo de Barros Piedras Lopes; o motoboy Francisco Vicente Junior, que presenciou o atropelamento; o policial militar Carlos Eduardo Fernandes de Aguiar; o funcionário do hotel onde o casal estava hospedado, Carlos Eduardo Magalhães dos Santos; os moradores da região Gabriel de Andrade Ribeiro Alencar e Beatriz Martins Fontes Dias; e Nathan Pereira Areal, que prestou os primeiros socorros.
A juíza marcou a continuação da audiência de instrução para o dia 9 de maio, às 13h, quando outras testemunhas deverão ser ouvidas.
Relembre o caso
Fábio Toshiro Kikuta, de 42 anos, morreu após ser atropelado na noite de 13 de julho do ano passado, enquanto atravessava a Avenida Lúcio Costa, no Recreio dos Bandeirantes, Zona Oeste do Rio. O acidente aconteceu poucas horas após seu casamento. Ele estava acompanhado da mulher, que não se feriu.
O veículo era conduzido pelo influenciador Vítor Vieira Belarmino, que fugiu do local sem prestar socorro. A Polícia Civil concluiu o inquérito e indiciou Vítor pelos crimes de homicídio doloso, omissão de socorro e fuga do local do acidente. As mulheres que estavam no carro com ele também foram indiciadas.
Durante a investigação, a perícia foi realizada no local e 13 testemunhas prestaram depoimento. Os investigadores analisaram mais de 20 vídeos de câmeras da região, e o Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) produziu 10 laudos técnicos. Um deles apontou que Vítor trafegava entre 92 e 118 km/h no momento do atropelamento — velocidade acima do limite da via, que é de 70 km/h.
Além disso, a investigação também concluiu que o motorista dirigia o veículo em velocidades que variaram entre 109 Km/h e 160 Km/h no trecho anterior ao atropelamento. Também foi apurado que, se estivesse trafegando na velocidade permitida, teria condições de frear o carro antes do impacto.





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