Agam Rinjani foi o primeiro a chegar no local onde o corpo de Juliana Marins estavaReprodução / Redes Sociais
Vaquinha para ajudar alpinista que resgatou corpo de brasileira na Indonésia chega a R$ 500 mil
Agam Rinjani, tratado como 'herói' por internautas, ganhou popularidade no Brasil ao compartilhar, em tempo real, a operação de resgate nas redes sociais
Rio - A vaquinha online criada por brasileiros para ajudar o alpinista Agam Rinjani, que resgatou o corpo da publicitária Juliana Marins na Indonésia, chegou a R$ 500 mil na tarde desta sexta-feira (27). A iniciativa, que tem autorização do próprio montanhista, tem apenas um dia de divulgação.
Agam, tratado como "herói" por internautas, ganhou popularidade no Brasil ao compartilhar, em tempo real, a operação de resgate nas redes sociais. Seu perfil já ultrapassa 1,5 milhão de seguidores.
Com vasta experiência na região, ele contou que passou a noite à beira de um penhasco, a cerca de 590 metros do cume da montanha, ao lado do corpo da publicitária, para esperar o içamento e não deixar o cadáver descer mais. Para evitar uma queda, o profissional utilizou âncoras de segurança. Segundo o alpinista, sem o equipamento, ele poderia ter deslizado mais 300 metros.
Durante uma live com os organizadores da campanha, feita pelo site Razões para Acreditar, Agam afirmou que pretende usar o valor arrecadado para investir no reflorestamento das montanhas da Indonésia e que irá dividir parte do dinheiro com colegas que também participaram do resgate.
O alpinista foi o primeiro a chegar ao local onde Juliana estava. Por causa da forte neblina e das condições climáticas adversas, ele e outro voluntário, identificado como Tyo, improvisaram um acampamento vertical no meio da encosta. Ao amanhecer, o montanhista carregou sozinho a maca com o corpo. Um vídeo mostra a equipe protegida do frio na costa íngreme do penhasco.
Juliana caiu na trilha no Monte Rinjani, em Lombok, no último sábado (21). No mesmo dia, a publicitária foi encontrada por turistas espanhóis, que passaram a monitorá-la, fazendo fotos e vídeos, inclusive com uso de drone. As imagens mostraram a vítima sentada em uma área inclinada, aparentemente com dificuldade de se levantar e retornar.
Na segunda-feira (23), Juliana foi localizada novamente por um drone, já sem sinais vitais aparentes, depois de descer ainda mais no penhasco. Segundo a família, o corpo estava a cerca de 650m de distância do local da primeira queda quando o resgate ocorreu na quarta-feira (25).
Após o içamento, os socorristas enfrentaram um trajeto de até oito horas até o posto de Sembalun. De lá, o corpo foi transportado de avião até o Hospital Bayangkara e, posteriormente, para o Hospital Bali Mandara, em Bali.
Nesta sexta-feira (27), o médico-legista Ida Bagus Putu Alit informou que a autópsia identificou que uma das quedas sofridas pela brasileira causou sangramento na cavidade torácica, além de fraturas pelo corpo. Ela morreu 20 minutos depois do trauma. O especialista ainda acrescentou que não havia sinais de hipotermia, pois não havia ferimentos provocados pela condição, como lesões nas pontas dos dedos.
"Essas fraturas ósseas causaram danos a órgãos internos e sangramento. A vítima sofreu ferimentos devido à violência e fraturas em diversas partes do corpo. A principal causa de morte foram ferimentos na caixa torácica e nas costas. Os indícios mostram que a morte foi quase imediata, menos de 20 minutos", disse.
Apesar do tempo estimado, o exame não apontou a hora exata da morte da brasileira.
Quem era Juliana?
Moradora de Niterói, na Região Metropolitana, e apaixonada por viagens, Juliana Marins, de 26 anos, estava há cinco meses fazendo um "mochilão" pela Ásia.
No dia 29 de março, a jovem postou fotos de uma viagem pela Filipinas. Na ocasião, ela escreveu que havia passado 36 dias que tinha deixado o Brasil sozinha para viver o sonho. As imagens mostram Juliana e seus amigos, os quais conheceu durante o passeio, em diversos pontos turísticos do país.
Além da Filipinas, a publicitária também conheceu a Tailândia - onde viveu cinco dias em um retiro de yoga e outros cinco em um monastério budista - e o Vietnã, definido por ela como o "preferido."
A publicitária também compartilhava nas redes sociais imagens dançando e praticando pole dance. Sempre sorridente, Juliana levava a vida, como ela mesmo postou: "devagar e sem muitos planos. Improvisando e deixando a vida acontecer."
A prefeitura de Niterói se colocou à disposição para custear o translado do corpo até o município, onde o enterro está previsto para ocorrer. O mirante e a trilha da Praia do Sossego, pontos turísticos da região, receberão o nome da brasileira como forma de homenagem.
Além da ajuda municipal, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva também (PT) determinou que o Ministério das Relações Exteriores também ofereça suporte para o translado do corpo. Lula disse que ainda pretende revogar o decreto que impede o Governo Federal de custear repatriação de cidadãos mortos no exterior. Na quarta-feira (25), o Itamaraty havia comunicado que não poderia arcar com os custos do translado por falta de respaldo legal e previsão orçamentária.

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