Juliana Marins, de 26 anos, morreu ao cair em uma trilha na IndonésiaReprodução / Redes sociais
Família de Juliana Marins recebe R$ 55 mil da Prefeitura de Niterói para translado do corpo
Niteroiense, de 26 anos, morreu ao cair em uma trilha na Indonésia; parentes aguardam liberação para retorno ao Brasil
Rio - A Prefeitura de Niterói, na Região Metropolitana, pagou R$ 55 mil para o translado do corpo da publicitária Juliana Marins, de 26 anos, que morreu ao cair em uma trilha na Indonésia, de volta ao Brasil. Segundo o órgão, o valor já foi repassado para a família. O Governo Federal também prometeu ajudar no custeio. Ainda não há data para o retorno.
"Estão fazendo uma questão muito grande da Juliana, que amava Niterói. Ela era apaixonada pelas praias da cidade. É muito bonito ver essa atitude da prefeitura em relação a ela", agradeceu Mariana Marins, irmã da vítima, em uma postagem nas redes sociais.
Além do translado, o mirante e a trilha da Praia do Sossego, pontos turísticos do município, receberão o nome da brasileira como forma de homenagem.
Ajuda federal
Nesta sexta-feira (27), um dia após o presidente Lula (PT)conversar por telefone com Manoel Marins, pai da publicitária, foi publicado um decreto que prevê a hipótese excepcional de custeio de traslado de corpos de brasileiros falecidos no exterior.
"Falei com o pai dela. Ele agradeceu o telefonema e eu disse: 'Eu sei que não existe nada pior do que um pai ou uma mãe perder um filho'. Fui descobrir que tinha um decreto-lei que não permitia que o nosso Ministério das Relações Exteriores pudesse trazer o corpo dessa moça para cá. É um decreto de 2017. Vou revogar esse decreto e fazer outro para que o governo assuma a responsabilidade de custear as despesas da vinda dessa jovem para o Brasil com a sua família. Nós vamos cuidar de todos os brasileiros, estejam onde estiverem”, frisou Lula.
O texto determina que, em caráter excepcional e motivado, a proibição do traslado de corpos de nacionais custeada pelo Estado, pode deixar de falar em casos específicos. Entre eles, a hipótese de o falecimento ocorrer em circunstâncias que causem comoção, como foi o caso da Juliana, episódio que gerou uma corrente de solidariedade e orações pelo resgate.
De acordo com a norma, o traslado também poderá ser realizado pelo governo nos casos em que a família comprovar incapacidade financeira para o custeio das despesas; quando as despesas não estiverem cobertas por seguro contratado ou previstas em contrato de trabalho; e se o deslocamento para o exterior tiver ocorrido a serviço.
O decreto ainda destaca que o custeio do traslado está sujeito à disponibilidade orçamentária e financeira e que os critérios e procedimentos para a concessão e execução serão regulamentados por ato do ministro das Relações Exteriores.
O caso
Juliana caiu na trilha do Monte Rinjani no último sábado (21). No mesmo dia, a publicitária foi encontrada por turistas espanhóis, que passaram a monitorá-la, fazendo fotos e vídeos, inclusive com uso de drone. As imagens mostraram a vítima sentada em uma área inclinada, aparentemente com dificuldade de se levantar e retornar.
Na segunda-feira (23), a niteroiense foi localizada novamente por um drone, já sem movimentos, indicando falta de sinais vitais, depois de descer ainda mais no penhasco. De acordo com a família, o corpo estava a cerca de 650m de distância do local da primeira queda quando o resgate foi realizado nesta quarta-feira (25).
A publicitária estava na Indonésia em uma viagem conhecida como "mochilão". O turismo havia começado há cinco meses e incluiu outros países da Ásia, como Filipinas, Tailândia e Vietnã.
Laudo
A autópsia realizada na Indonésia no corpo de Juliana revelou que a morte aconteceu 20 minutos depois do trauma provocado por uma das quedas. Os ferimentos causaram danos a órgãos internos e hemorragia. A informação foi divulgada em coletiva de imprensa, nesta sexta-feira (27), no Hospital Geral Regional Bali Mandara.
De acordo com o médico-legista Ida Bagus Putu Alit, o impacto causou sangramento na cavidade torácica, além de fraturas pelo corpo. O especialista ainda acrescentou que não havia sinais de hipotermia, pois não havia ferimentos provocados pela condição, como lesões nas pontas dos dedos.
Juliana pode ter morrido dias depois da primeira queda. Ainda segundo Alit, em entrevista à rede de TV BBC Indonésia, a morte teria ocorrido na quarta-feira (25), entre 1h e 13h no horário local - equivalente a entre 14h de terça-feira (24) e 2h da madrugada de quarta no horário de Brasília. A estimativa foi feita com base nas condições do corpo, removido do local no mesmo dia.
Apesar disso, o especialista afirmou que é difícil determinar com precisão o momento exato da morte, já que fatores como a forma de transporte do corpo e as condições climáticas locais podem interferir nas análises.
Em uma postagem na desta sexta-feira (27), Mariana Marins, irmã da publicitária, criticou a forma como a família recebeu as informações sobre o laudo da morte da jovem. Ela relatou que o médico legista realizou uma coletiva de imprensa antes de conversar com os familiares.
"Foi outro caos, outro absurdo. Minha família foi chamada no hospital para poder receber o laudo, porém, antes que eles tivessem acesso a esse laudo, o médico legista achou de bom tom fazer uma coletiva de imprensa para falar para todo mundo que estava dando o laudo em vez de falar para família antes. É absurdo atrás de absurdo e não acaba mais", desabafou.
Manoel Marins, pai da niteroiense, segue na Indonésia aguardando a liberação do corpo.

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