Danúbia foi transferida para o sistema prisional dois dias após ser localizada em uma maternidadeReprodução

Rio – A Justiça do Rio concedeu, nesta quinta-feira (17), prisão domiciliar a Danúbia de Souza Rangel, ex-mulher do traficante Nem da Rocinha. Ela foi presa no último dia 5, em uma maternidade na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, onde deu à luz uma filha horas antes da chegada de policiais civis para cumprimento de um mandado de prisão condenatória, expedido pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), por tráfico de drogas. A pena, inicialmente em regime fechado, é de nove anos e quatro meses.
Na decisão, o juiz Rafael Estrela Nóbrega, do Gabinete de Execuções Penais do TJRJ, afirmou que o benefício foi autorizado com base na lei que prevê prisão domiciliar a genitoras de menores de 12 anos incompletos. Outro fator foi o pedido da defesa de Danúbia, que ressaltou o fato de a filha dela, além de recém-nascida, possuir síndrome de Down e demandar cuidados especiais.
O magistrado ainda elencou uma série de condições que a presa deverá cumprir para manter o benefício. São elas:
- permanecer em tempo integral na prisão domiciliar, com exceção de saída apenas para atendimento médico;
- não remover, violar ou provocar qualquer modificação na tornozeleira eletrônica, equipamento que exige três horas diárias conectado ao carregador, cujo cabo possui 3 m de cumprimento a fim de facilitar o deslocamento pelo imóvel;
- não receber pessoas em casa, exceto outros moradores, funcionários ou profissionais de saúde;
- não deixar o estado sem autorização judicial;
- comunicar previamente a Justiça em caso de mudança de endereço.
Dois dias após a prisão na maternidade, Danúbia foi transferida para a Unidade Materno-Infantil (UMI), em Bangu, também na Zona Oeste. Segundo a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap), o local é um espaço humanizado e adaptado para que as detentas permaneçam com filhos recém-nascidos por até um ano.
Procurada pela reportagem, a Seap informou que aguarda o cumprimento da decisão por meio do oficial de Justiça. Danúbia não se manifestou nas redes sociais até o momento.
A prisão
Danúbia foi presa por agentes da 72ª DP (São Gonçalo) na tarde de sábado (5), instantes depois de dar à luz. Por isso, ainda ficou dois dias acautelada na maternidade antes de ser levada à UMI.
Na ocasião, o delegado Fábio Souza, titular da distrital, explicou ao DIA como a equipe a localizou: "Sabíamos havia muito tempo que ela estava grávida e, lógico, teria que procurar algum hospital para fazer o parto. Ficamos monitorando os hospitais onde ela poderia ser atendida e quando identificamos, fomos lá e efetuamos a prisão".
Já na UMI, a detenta publicou no Instagram um vídeo no qual destacava que tem seguido "um caminho diferente daquele que seguia no passado". Ela ainda admitiu que sabia da existência do mandado de prisão quando deu entrada na maternidade.
"Não vou mentir, eu sabia que tinha saído esse mandado, há uns 20 dias. Só que não me entreguei porque minha filha estava na posição pélvica. Todo mundo sabe que essa posição oferece risco para a mãe e a criança se o parto não for com cesariana. E eu não tinha como fazer cesariana a não ser que viesse para um hospital. Optei pela minha vida e a da minha filha. Não cometi crime nenhum"
Conhecida por alcunhas como Xerifa da Rocinha e Primeira-Dama, dentre outras, Danúbia já havia sido presa outras vezes por tráfico de drogas e associação ao tráfico e estava em liberdade desde 2024. Já Nem da Rocinha segue detido desde 2011.