Imagens de drones auxiliaram os bombeiros no combate ao fogoDivulgação / Corpo de Bombeiros

Rio – O incêndio que atingiu áreas de vegetação em Vargem Grande e Recreio dos Bandeirantes, Zona Oeste do Rio, na noite desta segunda-feira (28) até a madrugada de terça-feira (29) causou pânico em moradores da região, que relataram medo das chamas chegarem às suas casas. As cinzas e fuligem ainda invadiram residências do local, deixando rastros de sujeira pelos bairros.
O produtor musical André Lopes, de 25 anos, mora na Estrada do Pontal, próximo ao foco do fogo. Ao DIA, ele contou que viveu momentos de tensão quando percebeu a gravidade da situação. "Eu comecei a perceber o fogo por volta das 19h. Primeiro, veio um cheiro bem forte de queimado e depois, começou a vir vento com fuligem, aquelas bem fininhas, e preencheu a casa inteira aqui. Quando eu vi pela janela, o céu estava todo laranja, cheio de fumaça. Aí, eu vi que a situação era séria", disse.
"Deu muito medo. O fogo chegou muito perto. Acho que também por conta do vento, estava espalhando muito rápido. Então, eu fiquei com medo de atingir a casa. Fiquei naquela tensão, não sabia se eu corria, saía, esperava. Foi bem angustiante, mas aí, os bombeiros vieram, e ficou mais tranquilo, mas demorou. Fiquei um tempo tenso."
André ainda relatou que sua casa ficou com muitas cinzas. Ele temeu que o incêndio causasse problemas de eletricidade na região, e que isso prejudicasse o seu trabalho. "Mesmo com a janela fechada, entrou muita cinza. Entrou voando, porque eu esqueci a porta aberta. O meu maior medo era tanto a rede elétrica, pode podia 'lamber' ela, dar curto, e queimar meus equipamentos, quanto 'lamber' tudo aqui perto de casa, porque era muito perto. O cheiro de fumaça impregnou tudo, parecia que tinha pegado fogo aqui dentro", desabafou.
Já a recepcionista de hotel July Tenorio, 26, afirmou que começou a sentir o cheiro apenas às 21h, porque estava voltando ao seu prédio, perto do Recreio Shopping. "Eu comecei a perceber a fuligem caindo no vidro do carro, o cheiro já começando a entrar mesmo com os vidros fechados. Nesse momento, eu ainda não tinha entendido o que estava acontecendo, e quando desci do carro após estacionar, já estava um cheiro de queimado muito forte", explicou.
Ela comentou que passou horas arrumando o seu apartamento, por causa da fuligem e do forte cheiro que atingiu o local. "Ontem à noite, a gente já tinha tirado um pouco [das cinzas], porque ficou muito mesmo. Não só o cheiro, mas toda aquela fuligem da queimada, na cozinha e na sala. Hoje de manhã, a gente teve que limpar de novo. As roupas que tínhamos colocado na corda, tivemos que lavar todas elas de novo, porque ficou com muito cheiro, só que no momento que a gente viu, já era tarde para tirar. O hall do meu prédio também ficou com muita fuligem no chão, tudo com muito cheiro de fumaça. Sujou muito mesmo", contou.
"Da distância da minha casa até onde aconteceu o fogo, me assustou que tenha chegado nessa quantidade até aqui, porque eu moro relativamente perto, mas para ter ficado sujo no ponto que ficou, parece que foi aqui do lado. Então, me assustou bastante a proporção que esse incêndio tomou."
Quem também ficou a casa toda suja pelas cinzas foi o professor de história João Guilherme Mansur, 26, que mora em um condomínio próximo à Estrada do Rio Morto. "O quintal ficou todo imundo. Eu tinha deixado a janela do meu quarto um pouco aberta, e quando voltei da academia para casa, tinha bastante fuligem na minha mesa", afirmou.
"Eu comecei a perceber o fogo por volta das 21h, quando estava voltando. Conforme eu ia me aproximando do Rio Morto, comecei a perceber muita cinza e fuligem voando. Com isso, eu já imaginava que tinha um incêndio nas proximidades. Eu não tinha ideia do quão próximo estava sendo o fogo, nem do quão grande. Eu só cheguei, fiz minhas coisas e fui dormir. Só pela manhã, fiquei sabendo das proporções do incêndio."
Atuação dos bombeiros
O fogo começou por volta das 19h em uma zona de mata próxima à Rua Wilfred Penha Borges, com agentes combatendo as chamas pela Rua Teixeira Heizer, que teve uma faixa interditada para a ação das autoridades, e pela Estrada do Rio Morto, onde a maioria dos militares passou a se concentrar.
Mais de 30 bombeiros de cinco unidades atuaram na operação, com apoio de 11 viaturas e uso de drones com câmeras térmicas. De acordo com as equipes, os fortes ventos registrados na região favoreciam a propagação das chamas e atrapalhavam a operação de extinção dos focos.
Os agentes se dividiram em quatro frentes, em quatro lugares diferentes, e conseguiram acessar as áreas mais críticas, como as residências da região e um heliponto local, que tinha tonéis de combustível. Os bombeiros atuaram por quase nove horas, até a madrugada desta terça-feira (29), para conter o incêndio. De acordo com a corporação, não houve vítimas.
Autoridades se pronunciam
O governador Cláudio Castro parabenizou a atuação do Corpo de Bombeiros na manhã desta terça-feira. "Graças ao trabalho coordenado, técnico e dedicado desses profissionais, conseguimos evitar o pior. O incêndio foi totalmente debelado e, felizmente, não houve registro de vítimas", afirmou.
A Polícia Civil informou, em nota, que a Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA) investiga o caso. "Agentes analisam imagens, buscam por testemunhas e realizam outras diligências para apurar as causas do incêndio", diz o comunicado.