Cônsul alemão diz que marido teve mal súbito; na foto, belga está de camisa clara, ao lado do companheiroArquivo Pessoal

Rio – O Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ) autorizou o compartilhamento de provas dos Ministérios Públicos da Alemanha e Bélgica no caso do cônsul alemão Uwe Herbert Hahn. Ele é suspeito da morte do marido, o belga Walter Henri Maxmillien Biot, com quem vivia em uma cobertura em Ipanema, Zona Sul do Rio, em 2022. A medida foi anunciada nesta sexta-feira (1º).
Na época, Uwe chegou a ter prisão preventiva decretada pela 4ª Vara Criminal, após a perícia atestar lesões no corpo da vítima, o que afastava a tese inicial de mal súbito. No entanto, ele teve um habeas corpus concedido e deixou o Brasil um dia depois.
Mesmo com a fuga, o processo no TJRJ seguiu e as autoridades da Alemanha abriram uma investigação. Como Walter era cidadão da Bélgica, o Ministério Público do país também iniciou buscas e solicitou o compartilhamento de provas com os alemães, que fizeram o requerimento de autorização via Ministério Público Federal.
Na decisão, a juíza Lúcia Mothé Glioche destaca que a decisão tem fundamento no princípio da especialidade na cooperação jurídica internacional.
Alegação de surto
O caso aconteceu em agosto de 2022. Uwe e Walter eram casados há 23 anos e moravam no Rio havia quatro anos. A vítima tinha passaporte diplomático e acompanhava o marido nos deslocamentos pelos países designados pela diplomacia alemã.
Após a morte, o cônsul afirmou, em sua defesa, que o belga teve um surto. Ele descreveu que ambos estavam em um quarto do apartamento, quando Walter passou a gritar e correr até cair com o rosto no chão, entre a sala e a varanda da residência.
Entretanto, o laudo de exame de necropsia, assinado pelo perito-legista Reginaldo Franklin Pereira, contabilizou pelo menos 30 lesões, entre hematomas e ferimentos, constatando a versão que ele teria surtado. "Há ferimentos nos dorsos das mãos e de ambos cotovelos, típicos de defesa. Também chama a atenção as pancadas ao redor dos tornozelos, como se a vítima tivesse sido amarrada", disse, na ocasião.