Reforma foi idealizada pelo produtor cultural Rômulo SalesÉrica Martin

Rio – A Ilha do Governador ganhará um teatro com 700 lugares em setembro. Localizado ao lado do Colégio Cenecista Capitão Lemos Cunha, na Estrada do Galeão, o equipamento cultural, que promete oferecer peças, shows e outros eventos, será inaugurado no dia 4, às 19h, com show gratuito da Orquestra Light da Rocinha e participação do cantor Dilsinho, abrindo o aniversário de 458 anos da região, no dia 5.
A programação de estreia do Teatro da Ilha, como foi batizado o espaço, terá nomes de peso da cena cultural nacional, como os humoristas Marcos Veras, Fábio Porchat, Rafael Portugal, Yuri Marçal e Rodrigo Sant’Anna, além das atrizes Mariana Xavier e Flávia Reis.
Ao DIA, o produtor cultural Rômulo Sales, idealizador do projeto, revela que pretende atrair públicos diferentes, com shows e espetáculos de gêneros variados. "No palco, teremos todas as linguagens, desde o humor à comédia, o drama, a música, o teatro infantil, o stand-up. Na prática, esse palco é para se tornar possível para toda e qualquer forma de expressão cultural e artística", adianta Rômulo, destacando, ainda, a chegada do novo equipamento cultural para os moradores da cidade.
"Um novo teatro é muito importante para a população do Rio e da Ilha como ampliação de repertório e acesso à cultura, porque a gente trata de direito. É direito de qualquer cidadão ter acesso à cultura. Nós precisamos democratizar o acesso ao teatro, não só abrindo as portas dele, mas dialogando com o público que o teatro está localizado em relação à curadoria da programação."
Instalado no antigo teatro do Colégio Capitão Lemos Cunha, erguido na década de 1960, mas fechado há quase uma década, o espaço teve os sistemas de iluminação, som e refrigeração totalmente reformados. Ganhou, ainda, telas de projeção para apresentações audiovisuais. 
"Ele passou por uma reforma estrutural muito potente, que vai desde o telhado até o forro, isolamento acústico, à completa substituição das poltronas e do sistema de refrigeração, além de novos e modernos equipamentos de som e luz. E obviamente a nova infraestrutura de backstage, camarim e mecanismo de varas automatizado", explica Rômulo. O espaço foi viabilizado por meio de patrocínio da Light, via Lei Estadual de Incentivo à Cultura, em parceria com a Secretaria de Estado de Cultura e Economia
Criativa.
A área externa também passou por obras, ganhando banheiros, cafeteria e um espaço de convivência, onde o público poderá aguardar o início dos espetáculos. "Requalificamos a sua fachada e o seu espaço de convivência, fazendo dele um teatro que dialoga com os teatros modernos do Brasil hoje em dia. Nós pretendemos que o público venha a esse lugar não somente para assistir ao espetáculo, mas para viver uma experiência 360º. O nosso foyer, nossa área de convivência, o pergolado, um lugar de estar para que as pessoas possam confraternizar, conversar, dialogar", complementa o produtor.
Em dias de evento, o teatro, que fica na principal via de acesso à Ilha, na Portuguesa, utilizará o estacionamento do colégio.
A acessibilidade também está garantida, afirma o produtor cultural. "Desde a entrada, temos rampas de acesso e lugares assegurados para os cadeirantes na plateia. Essas são características que não compunham a obra anteriormente. A gente tem comunicação em braile em alguns pontos, e o compromisso em manter o máximo de espetáculos com recursos de intérpretes de libras, para que a pessoa com deficiência se sinta pertencente a esse lugar."
Abertura especial
O teatro reabrirá as portas em 4 de setembro e receberá eventos nos dias seguintes. O show inaugural será com a Orquestra Light Rocinha e o cantor Dilsinho, que é insulano e já tocou no mesmo palco quando era mais jovem. Para celebrar o aniversário da Ilha, no dia 5 haverá apresentação da Banda de Fuzileiros Navais e corte simbólico do bolo. 
"No dia 6, teremos o ator Marcos Veras, com o espetáculo novo dele, aberto à população. Logo em seguida, começamos nossa programação, que vai desde espetáculos de humor, que incluem 'Hermanoteu na Terra de Godah', da Cia. de Comédia Os Melhores do Mundo, que é um grande sucesso nacional", diz Rômulo.
"Teremos também Rafael Portugal, Fábio Porchat e espetáculos conceituais, tais como o 'Hamlet' feito pelo Rodrigo França, espetáculos infantis, como a 'Galinha Pintadinha' e 'Bolo Fofo', e apresentações que vão dar conta de atender à maior diversidade de públicos possível", enumera o produtor. Toda a programação até janeiro de 2026 já foi definida. 
Integração com estudantes
O Teatro da Ilha também abrigará ações educativas. De acordo com Rômulo Sales, com a inauguração, será iniciado o "Projeto Escola", que tem como objetivo levar estudantes – inicialmente do Colégio Capitão Lemos Cunha, e depois, de outras unidades da região – para conhecerem o teatro. Serão explicados todo o funcionamento técnico do palco por dentro, suas características técnicas, o backstage, a área de produção, e os detalhes na elaboração de um espetáculo.
"É uma oportunidade de entender que eles podem vislumbrar isso como uma carreira futura para eles, porque entendemos que cultura e teatro gera uma camada importante de geração de trabalho e renda. Começaremos com o Lemos Cunha, e será expandido posteriormente para outras unidades escolares interessadas na região."
Carente de opções de entretenimento, a Ilha do Governador, que tem cerca de 200 mil moradores, pode voltar a se destacar no cenário cultural da cidade, como vislumbra Rômulo Sales. "O Teatro Lemos Cunha faz parte da história do Rio. Muitos grandes artistas já pisaram nesse palco, mas são muitos anos com as portas fechadas, e é uma grande mácula para a população carioca e, especialmente, insulana, que tem uma memória afetiva dele. A gente, ao longo do tempo, vem mapeando as oportunidades, em um Brasil que tem fechado portas de teatro, quais são as que podemos reabrir. Houve essa oportunidade da gente ressignificar esse antigo palco do Lemos Cunha agora como Teatro da Ilha, com esse nome que faz conexão com esse território."
Moradores comemoram
A estudante de pedagogia Fernanda Magalhães, de 22 anos, moradora do Jardim Carioca, está animada com a novidade. "A Ilha fica longe de tudo, é inviável que as pessoas peguem passagem com a família inteira para irem a outro lugar, na Zona Sul, para terem acesso à cultura. Então, é democratizar esse acesso. Fico muito feliz porque o Lemos Cunha é de fácil acesso a todo mundo que mora na Ilha."
Fernanda diz que pretende visitar o novo espaço. "Eu gosto muito de musical, mas também adoro stand-ups. Gosto de todos os teatros. Já fiz teatro quando era menor."
A dona de casa Izete Felix, 71, também moradora do Jardim Carioca, celebra a inauguração. "Falta muita coisa na Ilha, uma delas é cultura. No caso, o teatro é fundamental. Já existia cinema, mas em matéria de cultura, acredito que está faltando muito."
A representante comercial Kátia Morgado, 69, avalia que um teatro na região é "muito bem-vindo". "Cultura, a gente bate palma. Se isso acontecer, vai ser muito positivo para os moradores e as pessoas do entorno. Acho que não tem muitos espaços destinados à cultura aqui. O pessoal sai, vai para a Zona Sul, outros cantos."
Jayme Alfaro, 37, faz coro: "Acho boa essa oportunidade das pessoas terem cultura. Estava faltando um teatro aqui, difícil ter alguma coisa, ainda mais porque a Ilha está muito perigosa, então já é algo para as pessoas terem acesso à cultura. Eu acho bacana."
O Teatro Ilha fica na Estrada do Galeão, S/N, Portuguesa, ao lado do Colégio Capitão Lemos Cunha. A programação completa e a venda de ingressos estão disponíveis em www.teatrodailha.com.br/ingressos/