Bandidos usavam perucas e até pintavam o rosto de preto para burlar o reconhecimento facilReprodução/Fantástico
Para obter o dinheiro, o grupo utilizava desde sofisticadas fraudes digitais, disfarces e pessoas vulneráveis para validar cadastros falsos. A maior parte das vítimas é beneficiária de programas sociais do Governo Federal, mas as fraudes também atingem o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e o Seguro Desemprego, todos geridos por meio do aplicativo.
O chefe da quadrilha foi identificado como Felipe Quaresma Couto, preso na última quinta-feira (18) no bar onde trabalhava. Ele era monitorado pela PF desde 2022, mas cometia crimes desde 2020. Ele foi preso na última quinta-feira (18) no bar onde trabalhava.
As fotos de disfarce estavam nos celulares de Felipe e de outro integrante do grupo, Cristiano Bloise de Carvalho, que também foi preso. Quatro outros suspeitos estão foragidos. Os dois presos responderão por estelionato qualificado, corrupção de funcionários públicos, inserção de dados falsos em sistema e organização criminosa.
Funcionários recebiam propina
No Rio, na última sexta-feira (19), a Polícia Federal realizou a segunda fase da Operação Farra Brasil 14 para desarticular a quadrilha especializada em fraudes por meio do aplicativo Caixa Tem. Na ocasião, os policiais buscavam cumprir 14 mandados de prisão em Niterói, São Gonçalo e Cachoeiras de Macacu, todas cidades da Região Metropolitana.
Investigações da Delegacia da PF em Niterói revelaram que a organização cooptava funcionários da Caixa e de Lotéricas para, mediante propina, viabilizar o acesso indevido a contas sociais de terceiros por meio do aplicativo Caixa Tem. A PF identificou que o grupo chegou a transferir mais de R$ 300 mil para um único funcionário.
De acordo com a Coordenação de Repressão a Fraudes Bancárias Eletrônicas da Diretoria de Combate a Crimes Cibernéticos da PF, já foram registrados cerca de 749 mil processos de contestação desde a criação do Caixa Tem, em abril de 2020. Nesse contexto, a agência bancária já realizou o ressarcimento de pouco mais de R$ 2 bilhões.
Os suspeitos são investigados pelos crimes de organização criminosa, furto qualificado, corrupção ativa, corrupção passiva e inserção de dados falsos em sistemas de informação.
O uso de IA
Para burlar o sistema de segurança de reconhecimento facial, o grupo criminoso usava de fotos geradas por inteligência artificial.
O especialista em reconhecimento facial da PF-RJ, Paulo Cesar Baroni, relatou ao "Fantástico" que os criminosos usavam seus próprios rostos e não preocupavam em alinhar fotos e nomes dos cadastros. Segundo um áudio obtido durante as invesigações, o importante era "ser uma selfie bem tirada, bem clara, bem nítida." "E quanto mais nova a pessoa, tá passando mais rápido".
Como não podiam repetir a biometria, os golpistas buscavam os chamados "rostos virgens", pessoas que nunca tinham passado pelo reconhecimento facial do banco. O objetivo era criar clientes falsos com dados verdadeiros roubados das vítimas. Eles conseguiam essas pessoas na rua, "pegando pessoas de vulnerabilidade social, moradores de rua mesmo, utilizando essas imagens", explicou Wanderson Pinheiro da Silva.
"O banco aperfeiçoa, continuamente, os critérios de segurança de acesso aos seus aplicativos e movimentações financeiras, acompanhando as melhores práticas de mercado e as evoluções necessárias ao observar a maneira de operar de fraudadores e golpistas, e monitora ininterruptamente seus produtos, serviços e transações bancárias para identificar e investigar casos suspeitos", destacou a instituição.

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