Refrigeradores da Firjan geram barulho e transtornos no Centro do RioÉrica Martin/Agência O Dia
Barulho constante dos refrigeradores da Firjan tira o sossego de quem trabalha e circula pela Rua Santa Luzia, no Centro do Rio. Equipamentos estão no local há pelo menos dois meses
— Jornal O Dia (@jornalodia) September 24, 2025
Crédito: Érica Martin/Agência O Dia pic.twitter.com/FyVMHW5RZV
Os aparelhos, cercados por grades, ocupam um espaço de cerca de 5 metros de largura por 20 de comprimento, dimensão semelhante a de um ônibus.
O taxista José Carlos Santos, 79 anos, que mantém ponto fixo na Avenida Graça Aranha, diz que em 57 anos de profissão nunca viu um equipamento desse porte instalado por tanto tempo em uma rua de grande movimentação. "Além do barulho, atrapalha o trânsito e a nossa rotina de trabalho, porque não dá mais para parar e pegar passageiros. Isso já está ali há pelo menos dois meses e nem sabemos por quanto tempo mais vai durar. Está difícil", reclama.
Paulo César, 46, que faz entregas de pães na região, também se queixa: "Estou aqui a semana toda. Desde que colocaram esse equipamento, não tivemos mais sossego. O barulho fica o dia inteiro, é perturbador."
Em frente aos refrigeradores, do outro lado da rua, funcionam pelo menos dez barracas de camelôs, trabalhadores que passaram a ter que conviver diariamente com o som.
A advogada Juliana Bittencourt, 50, também não esconde a insatisfação. "Eu trabalho no Centro, mas não costumo passar por essa rua. Só de ficar aqui alguns minutos já me senti incomodada. Se está difícil para mim, imagina para quem trabalha aqui todos os dias?", questiona.
Morador de São Gonçalo, o ambulante José Carlos, 58, que possui uma barraca na Santa Luzia, lamenta a falta de comunicação por parte da Firjan. "Ninguém avisou nada, nem deram satisfação sobre quanto tempo vai ficar. Só torcemos para que acabe logo."
Sujeira e restrição em via pública
Além do barulho, outros problemas também são relatados. Dentro do espaço cercado, a reportagem encontrou água acumulada e folhas, o que preocupa trabalhadores da limpeza urbana. "Não dá para fazer manutenção ali dentro. Fica lixo acumulado, o que pode atrair ratos. A gente faz o que é possível, mas sabe que poderia ser melhor se não tivesse aquilo lá", disse um gari da Comlurb, que prefere não se identificar.
Um ambulante, que também pediu para não se identificar, afirma ainda que usuários de drogas já tentaram roubar cabos expostos e que o tamanho dos equipamentos favorece as ações criminosas: "É um espaço onde ladrões podem se esconder e fazer de pedestres ou motoristas parados no sinal possíveis vítimas."
Porteiros da região dizem que vigilantes foram contratados para reforçar a segurança em frente ao prédio da Firjan durante a noite. Para inibir furtos, também foram instaladas concertinas, um tipo de arame farpado em espiral, em toda a área cercada.
Outro ponto citado é a restrição para carga e descarga. O entregador Cleandro Marques trabalha com um caminhão fazendo entrega de alimentos. Ele observa que a instalação impossibilita a realização do serviço em prédios do trecho da via. "Não tem como fazer entrega ali com esses refrigeradores ocupando o espaço. O barulho já incomoda, mas além disso atrapalha diretamente o nosso trabalho", diz.
De acordo com decreto publicado no Diário Oficial do município em 9 de maio deste ano, o uso do espaço foi autorizado para a troca da climatização do prédio da Firjan. O prazo estabelecido é de 1º de junho de 2025 a 31 de janeiro de 2026.
"O trecho isolado também não prejudica a travessia de pedestres no local, estando o passeio preservado", diz um trecho da nota da CET-Rio.




































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