Etevaldo Bispo, conhecido como 'Bahia', foi uma das vítimas de ataque a tiros em Irajá, no último dia 17Reprodução/Redes Sociais

Rio - O corpo de Etevaldo Bispo dos Santos, de 52 anos, chegou a Salvador, na Bahia, para o sepultamento, nesta quarta-feira (22). O percussionista foi morto, no último dia 17, em um ataque a tiros contra pessoas em situação de vulnerabilidade. Ele e outros dois homens dormiam embaixo dos trilhos suspensos do metrô, ao lado da entrada da estação de Irajá, na Zona Norte. Apenas uma vítima sobreviveu ao atentado. 
Conhecido como 'Bahia', Etevaldo não tinha familiares e documentos no Rio. Ele participava de atividades do Movimento Afro Cultural Batikum Ilu Odar, que fez uma mobilização nas redes sociais para encontrar parentes da vítima. Em uma publicação, o grupo agradeceu ao apoio e afirmou que a "função mediadora para localizar a família" havia sido cumprida. O texto diz ainda que eles mantêm contato para prestar apoio, caso necessário. 
 
 
 
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"Lembro de uma vez conversar com Etevaldo e oferecer ajuda pra ele voltar à Bahia. Estou chocado. Pessoas que não criavam mal algum. Etevaldo sempre me gritava quando me via e eu respondia de volta. Para alguns essas pessoas não tinham importância, mas eles são parte de uma comunidade. Enfim, chocado. Solidariedade à família e amigos", comentou uma pessoa na publicação.
Bahia usava uma bengala para se locomover e, segundo moradores da região, sofria com sequelas de um AVC. Ele tinha uma ex-mulher, que teria voltado para Salvador, era conhecido por pessoas do bairro e não tinha desavenças com ninguém. Etevaldo também teria sido cabeleireiro e costumava pedir dinheiro no sinal. De acordo com a Defensoria Pública do Estado Rio, o corpo dele foi sepultado no Cemitério São Sebastião, em Salvador, e o órgão agora acompanha as investigações. 
O caso é apurado pela Delegacia de Homicídios da Capital (DHC). A especializada já sabe sobre o envolvimento de três homens. Eles saltaram de um carro na Avenida Pastor Martin Luther King Jr., se aproximaram e atiraram à queima-roupa, com um fuzil e duas pistolas de calibres diferentes. No entanto, as identificações deles o a motivação do crime ainda não foram descobertas. Além de Etevaldo, o ataque matou Fábio Fernando da Silva, 44, que já foi sepultado, após a conclusão dos trâmites de documentação, e deixou Jaílton Matias Anselmo, 37, ferido.