Rio - João Antônio Miranda Tello Ramos, servidor do Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (Cefet-RJ), matou duas colegas de trabalho três dias após a Justiça Federal arquivar o processo que ele movia contra a instituição por danos morais. O crime aconteceu na sexta-feira (28) e a decisão judicial havia sido proferida na terça (25).
Colega assassinou Allane Mattos (à esquerda) e Layse Costa no Centro Federal de Educação TecnológicaReprodução
No documento obtido pelo O DIA, a juíza Frana Elizabeth afirma que a 26ª Vara Federal não tem competência para julgar o caso. No processo, João relatou ser servidor público federal estável, ocupante do cargo de pedagogo no Cefet desde 2014, e que, a partir de 2022, passou a ser lotado, contra sua vontade, na Divisão de Acompanhamento e Desenvolvimento de Ensino (Diace). Segundo ele, foi nesse período que "se intensificaram episódios de desvio de função, irregularidades operacionais e práticas administrativas incompatíveis com a legislação educacional".
Ainda na ação, João anexou laudos e atestados médicos, alegando que sua situação era urgente e que era necessário "evitar o comprometimento irreversível de sua saúde mental". A Vara Federal, no entanto, reconheceu a "ilegitimidade passiva da União Federal" e determinou o arquivamento do processo. João também foi condenado ao pagamento das custas processuais e honorários do advogado.
Para a família da diretora pedagógica do Cefet, Allane de Souza Pedrotti Matos, a decisão judicial pode ter motivado o atentado contra ela e contra a psicóloga Layse Costa Pinheiro. Após cometer os assassinatos, João tirou a própria vida. "Ele entrou com um processo contra ela, que era chefe dele. Ela estava muito abalada com isso. Ele perdeu o processo alguns dias antes do assassinato. Então, acredito que isso motivou o que ele fez", afirmou Alline Pedrotti, irmã de Allane, em entrevista ao DIA.
Servidora alertou direção do Cefet sobre risco de ataque
Uma servidora efetiva do Cefet-RJ afirmou ter avisado à direção da instituição sobre o ataque de João Antônio contra funcionários. A profissional, que pediu para não ser identificada por receio de colocar sua vida em risco, se referiu ao ataque como "uma tragédia anunciada" e disse que há outros profissionais no Cefet com comportamentos semelhantes ao de João, que podem praticar novos ataques contra funcionários.
"Eu encaminhei algumas denúncias para os gestores, direção-geral e para o Ministério da Justiça avisando sobre situações de possíveis atiradores na escola. O Ministério da Justiça chegou a me ligar, mas não houve continuidade para consolidar estratégias de prevenção, tanto no Cefet quanto em outras escolas", diz a servidora, que reforçou que o diretor-geral da unidade tinha conhecimento sobre a ameaça.
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