Bênção dos Capuchinhos é realizada na Basílica de São Sebastião nesta 1ª sexta-feira do anoÉrica Martin / Agência O Dia
Fiéis lotam Basílica dos Capuchinhos para receber primeira bênção do ano
Celebração ocorre há 140 anos
Rio - A tradicional Bênção dos Capuchinhos atraiu dezenas de fiéis nesta sexta-feira (2), ao Santuário Basílica de São Sebastião, na Tijuca, Zona Norte. A celebração, que ocorre há mais de um século, promove missas de hora em hora, abrindo o mês dedicado ao padroeiro da cidade.
Desde o início da manhã, os frades capuchinhos recebem o público com orações, cânticos e a tradicional aspersão de água benta, permitindo aos fiéis renovar a fé e consagrar o novo ano sob proteção divina. Muitos católicos aproveitam o rito para reforçar a espiritualidade e benzer itens pessoais, como chaves, roupas, além de filhos e até pets.
“O povo carioca é sedento de Deus, de paz e de bênçãos. Por isso, também, hoje quem vem aqui vê que a igreja está cheia todo dia", destacou o frei Adriano Borges de Lima, pároco do santuário.
Ele falou, também, sobre a origem da celebração: "É uma tradição que já completa 140 anos neste ano. Na primeira sexta-feira, todos estão buscando a saúde do corpo e da alma, pela intercessão de Nossa Senhora de Lourdes, para que o ano seja de prosperidade. É uma alegria para nós, frades, poder acolhê-los."
A origem da devoção remonta a 1886, quando frei Fidélis D'Ávila, capuchinho e devoto de Nossa Senhora de Lourdes, atribuiu à água benta a cura de uma grave enfermidade. Como agradecimento, ele mandou construir uma gruta dedicada à intercessora, ao lado da igreja de São Sebastião, no Morro do Castelo.
Após esse episódio, os frades passaram a conceder uma bênção especial aos fiéis nas primeiras sextas-feiras de cada mês. Com o tempo, a primeira sexta-feira de janeiro se tornou a mais concorrida, atraindo grandes multidões.
Com a demolição do Morro do Castelo, a bênção passou a ser realizada no santuário basílica de São Sebastião, construída em 1931.
O Santuário Basílica de São Sebastião fica na Rua Haddock Lobo, 266, Tijuca.
Valor da tradição
A Benção dos Capuchinhos tem lugar especial no coração de muitos católicos. A O DIA, alguns frequentadores comentaram a relação construída ao longo do tempo com a celebração e com o templo religioso.
Para Natália Bragança, engenheira de 39 anos, a presença dos pets na missa dos capuchinhos já virou tradição. “Eu sempre levei meus cachorros para receberem a benção pelo menos uma vez ao ano. Fiz isso com todos meus cães (sempre adotamos) e aqueles que ficaram na minha casa como lar temporário. Sempre foi uma maneira de pedir proteção e saúde”, comentou.
Na manhã dessa sexta-feira, quem recebeu a benção no pátio da basílica foi a cachorrinha Amalia Taylor. No colo da dona, ela foi abençoada com água benta pelo frei Adriano Borges de Lima.
Já a professora Neiva Alencar, 60, destacou a importância da basílica em diversos momentos de sua vida. “Capuchinhos faz parte da minha vida. Assisti a missa das 8h. Fui batizada, fiz primeira comunhão, crismei e me casei na Igreja de São Sebastião, à qual sou muito devota”.
Neiva acrescentou que, sempre que está no Rio, a visita à igreja faz parte da programação. “Estando no Rio, na primeira sexta-feira do ano e na quarta-feira de cinzas, é certo me encontrar na Igreja dos Capuchinhos”, comentou.
Já o militar da Marinha Simon de Carvalho, 37, e sua filha, Maria Gabriela, compareceram à celebração em busca de algum objeto sagrado do frei capuchinho Nemésio Bernardi, que foi beatificado em 2022.
"Viemos por dois motivos. Conhecer mais sobre a história dele [frei Nemésio] e praticar a eucaristia, que é o ápice do amor de Deus", disse Simon.
No feriado de 20 de janeiro, data em que se comemora o Dia de São Sebastião, a capital fluminense presta homenagens ao santo, considerado o padroeiro da cidade. Tradicionalmente, a procissão conduz a imagem de São Sebastião, guardada pelos frades capuchinhos até o dia do rito, em direção à Catedral Metropolitana do do Rio.
A história conta que São Sebastião teria nascido na Itália ou na França no ano 256 D.C, virou soldado romano e aos 38 anos, chefe da guarda do imperador Diocleciano, um dos maiores perseguidores do cristianismo de sua época.
Cristão fervoroso, Sebastião foi denunciado e condenado à morte por flechas, motivo pelo qual algumas imagens o retratam perfurado. Ele, no entanto, sobreviveu e denunciou o imperador. Perplexo com a ousadia, Diocleciano ordenou que os guardas o açoitassem até a morte, em 20 de janeiro de 288.
O título de padroeiro do Rio se dá porque pois os portugueses, liderados por Estácio de Sá, exploraram as águas da Baía de Guanabara neste dia, em 20 de janeiro de 1565.
*Reportagem da estagiária Ágatha Araújo, sob supervisão de Raphael Perucci, com colaboração de Érica Martin











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