Rio - Funcionários da Motocriss retornaram emocionados à loja, em Ramos, na Zona Norte do Rio, na manhã desta terça-feira (10). Ainda desacreditados do incêndio que destruiu o estabelecimento, os balconistas e vendedores acompanharam o trabalho do Corpo de Bombeiros que já dura mais de 24 horas.
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Tamara Cristina, que trabalha na Motocriss há quatro anos, contou ao DIA que chegou cedo para trabalhar, mas foi recebida pelo proprietário da Motocriss com a informação de que o imóvel estava pegando fogo. Ela e outro colega ainda pensaram em combater o fogo, mas a situação já estava incontrolável.
"Quando eu cheguei para abrir a loja, o meu patrão abriu a porta e pediu ajuda para chamar alguém, porque a loja estava pegando fogo. Entramos para tentar fazer alguma coisa, mas a fumaça já estava tomando conta. Foi muito rápido. Foi lamentável ver tudo caindo, um trabalho de vários anos, várias famílias dependiam disso. Estamos desolados, não estamos acreditando que isso aconteceu. Estamos muito emocionados. Meu patrão já é um senhor de idade, ele queria entrar de todo jeito na loja… Nossa expectativa é que ele consiga se reerguer e a gente volte a trabalhar na Motocriss", desabafou Tamara.
Na manhã de terça-feira, cerca de 60 bombeiros de 13 unidades atuavam no terreno com apoio de viaturas e escadas mecânicas. O incêndio está controlado, sem risco de propagação para imóveis vizinhos, mas os militares continuavam combatendo focos remanescentes.
A balconista Joseilane Soares, de 41 anos, se emocionou enquanto acompanhava o trabalho dos Bombeiros. Ela trabalhou por 19 anos na Motocriss e guarda carinho pelos donos da empresa familiar.
"Saí no final do ano, mas estava ajudando a cobrir férias do pessoal. Eu estava me arrumando para trabalhar quando soube da notícia. Peguei minha bicicleta e fui correndo. Quando me deparei com a cena, desabei. Voltei hoje na loja para prestar solidariedade. Não conseguimos dormir, todos os funcionários estão muito abalados. Meus patrões não mereciam isso, sempre foram muito corretos com todos nós. Estou emocionada porque foi a minha vida, criei minha filha com esse sustento. Sempre me ajudaram, sempre foram muito corretos", lamentou a balconista.
Ainda pela manhã de segunda-feira (9), pouco após o incêndio, funcionários relataram ao DIA que recentemente havia chegado uma carga de pneus e óleos na loja. O material ficava armazenado no quarto andar, onde teria começado o incêndio.
"Atingiu o último andar, onde ficam concentrados os pneus e óleos. A gente está muito triste. Tinha acabado de chegar uma remessa grande de pneus, de óleo. Estavam lá em cima, onde começou o fogo, pelo que falaram. Foi um susto muito grande. Eu começo a trabalhar às 7h. Minha amiga me ligou e eu já percebi que seria algo sério, porque ela não é de me ligar", contou a vendedora Katiane Tomé.
Segundo a gerente Cleide Melo, diversos clientes antigos foram ao local para prestar solidariedade. "Eu estava em casa, me ligaram e contaram que havia acontecido isso. A loja abre 7h e o pessoal chega cerca de 10 minutos antes. Lamentável, a gente não esperava isso, é uma tristeza muito grande. Disseram que começou no quarto andar, onde ficam os pneus, óleo e lubrificante. Chegou um carregamento recentemente, a loja estava muito cheia de peças", explicou Cleide.
Policiais da 21ª DP (Bonsucesso) realizaram perícia e ouviram o proprietário da loja para entender o que causou o incêndio.
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