Agentes da Polícia Civil receberam aulas de defesa contra agressões Érica Martin / Agência O Dia
Policiais civis recebem formação em prevenção contra violência doméstica
Inspetoras, policiais e outras agentes receberam aulas de defesa pessoal da especialista Érica Paes, do Empoderadas
Rio - Agentes da Polícia Civil fizeram, na manhã desta quarta-feira (8), um curso formação de prevenção à violência doméstica e aulas de defesa pessoal. O evento, realizado na Cidade da Polícia, no Jacarezinho, contou com Érica Paes, idealizadora do programa Empoderadas, e reuniu inspetoras, policiais e agentes de diferentes cargos.
Ao DIA, a especialista em segurança feminina destacou que a farda não protege uma mulher da possibilidade de se tornar uma vítima: "Na maioria das vezes, não dá tempo de puxar o distintivo, a arma. Às vezes, a arma potencializa a ira do agressor. Somente o distintivo devia bastar para impor respeito, mas infelizmente, não funciona", explicou Paes.
Érica afirmou que a iniciativa ocorreu diante do aumento de casos de feminicídio contra as agentes de segurança pública, mas reiterou que as aulas são importantes para qualquer mulher: "Mesmo sendo preparadas, continuam sendo mulheres e podem ser alvos. Qualquer uma, infelizmente, está em risco. Eu mesma, faixa preta, também estou".
Além disso, ela esclareceu as diferentes formas de violência contra à mulher, podendo ser física, patrimonial, psicológica e sexual. "No caso de importunação sexual, por exemplo, pode não ter verbalização, mas é violento. O 'cara' não falou o nome da mulher, nem ameaçou, mas se masturbou, ela não é vítima? É claro que é", explicou.
Presente no evento, a inspetora da Polícia Civil Fernanda Machado também relatou ao DIA a importância das aulas, especialmente para as mulheres da corporação.
"Estamos vivendo um momento histórico, não só no Rio como no Brasil, em que a gente tem percebido que as mulheres têm tido uma postura de se colocarem, se protegerem. Antes agiam de forma mais submissa, aceitavam alguns comportamentos. Nós, que somos policiais, temos essa oportunidade de proteger não só nossa vida pessoal, mas a das outras pessoas, e poder incentivar as outras a se defenderem".
No tatame, Érica demonstrou, com o seu ajudante, como os ataques podem vir de formas inesperadas e ensinou as técnicas de desvencilhamento e de defesa específicas para cada contexto de risco.
"O meu trabalho é de segurança. Eu tenho protocolo para o ônibus, para o carro de aplicativo, contra um companheiro agressivo, até na zona rural. Eu vou pedir ajuda para quem? Então, eu promovo ferramentas para tudo que antecede um crime. Visualização, o estado emocional, checar se há uma ameaça com a visão periférica, que é a arte de olhar sem perder o foco", explicou a especialista.
Casos de violência contra agentes de segurança pública
Os casos de feminicídio mais emblemáticos que ocorreram neste ano foram contra a soldado da PM de São Paulo Gisele Alves Santana, de 32 anos, e a comandante da Guarda Civil de Vitória (ES) Dayse Barbosa Mattos, em fevereiro e março, respectivamente. Ambas foram baleadas e mortas pelos companheiros, também agentes de segurança.
Em março de 2025, a vítima foi a policial civil Gabriele Ferreira Santos, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. A jovem, de 26 anos, morreu após ser baleada pelo companheiro Luciano de Nascimento Costa, colega de profissão. Luciano tirou a própria vida após o crime, segundo as investigações.
No mês anterior, no mesmo município, a inspetora da Deam Viviane Maia da Rosa, de 33 anos, também sofreu violência doméstica, e sobreviveu. Depois de levar quatro tiros do namorado, no peito e no abdômen, ela ficou internada em estado gravíssimo no Hospital Moacyr do Carmo, mas teve alta.
O agressor, Vinícius Silva de Souza, 29 anos, também policial civil, morreu após trocar tiros com outros agentes.
*Reportagem da estagiária Ágatha Araújo, sob supervisão de Adriano Araújo






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