Primeira exposição temporária do espaço aberto ao público do museu da imagem e do som localizado em Copacabana, a zona sul do Rio de Janeiro na tarde dessa sexta-feira (08) Erica Martin/O DIA
A reabertura aconteceu com a exposição temporária 'Arquitetura em Cena – o MIS Copa antes da Imagem e do Som', mostra que apresenta ao público os bastidores da construção do edifício, os desafios técnicos da obra e os conceitos arquitetônicos que deram origem ao novo museu erguido na Avenida Atlântica.
Os visitantes puderam conhecer parte das áreas já concluídas do prédio, incluindo o pavimento térreo, o espaço conhecido como “Baixo Atlântico”, a área expositiva e o terraço com vista panorâmica para a Praia de Copacabana e o calçadão desenhado por Burle Marx. A visitação foi gratuita e realizada mediante agendamento prévio.
Durante a recepção aos primeiros visitantes, a secretária estadual de Cultura e Economia Criativa, Danielle Barros, destacou que o museu ainda passa pelos últimos ajustes estruturais, mas afirmou que a proposta é permitir que a população acompanhe o processo final de construção antes da inauguração definitiva.
"Hoje (sexta) é a primeira visita para o público. São as pessoas que acessaram o link e são os nossos primeiros convidados. Então, sejam muito bem-vindos. A gente ainda está vivendo um processo de finalização de obra. Entendemos que a população precisava participar desse processo. O MIS é um museu que está sempre apontando para o futuro, para o diálogo com a rua, com a população”, afirmou Danielle.
Exposição revela bastidores da construção do novo MIS
A exposição 'Arquitetura em Cena – o MIS Copa antes da Imagem e do Som' marca justamente a fase final da construção do museu e funciona como uma espécie de prévia do que será o espaço cultural quando estiver totalmente concluído.
A mostra busca compartilhar com o público os processos, escolhas arquitetônicas e desafios técnicos enfrentados ao longo da construção do edifício, projetado para abrigar experiências sensoriais ligadas ao vasto acervo audiovisual do MIS.
O percurso começa no núcleo 'O Que É o MIS', que apresenta a história da instituição, criada em 1965, e contextualiza o museu como guardião da memória e da identidade cultural fluminense. O espaço explica como a necessidade de democratizar o acesso ao acervo — por muitos anos restrito a pesquisadores — motivou a criação de uma nova sede aberta ao grande público.
Em seguida, o núcleo 'A Concepção' mostra os bastidores do concurso internacional de arquitetura realizado em 2009, apresentando propostas concorrentes e os motivos que levaram à escolha do projeto vencedor. A exposição detalha o conceito do chamado “boulevard vertical”, ideia que transforma o prédio em uma extensão do tradicional calçadão de pedras portuguesas de Copacabana, integrando rua, fachada e interior do edifício.
Já o núcleo “O Projeto” apresenta a distribuição dos espaços internos do museu, com vídeos, maquetes e animações que mostram como a arquitetura foi pensada de forma integrada à futura museografia e às experiências culturais do público.
Outro destaque é o núcleo “O Museu”, que explica como os ambientes foram projetados para estimular encontros, circulação e interação entre visitantes, utilizando vazios visuais e enquadramentos da paisagem da praia.
A parte final da exposição, intitulada “Os Desafios da Construção”, reúne vídeos curtos, protótipos e amostras de materiais utilizados na obra, detalhando aspectos técnicos como concreto aparente, iluminação, acústica, marcenaria e os cobogós instalados na fachada para controlar a entrada de luz e valorizar a vista da orla.
Visitantes celebram abertura do espaço
Entre os primeiros visitantes estava a arquiteta Sônia Nascimento, de 61 anos, moradora de Copacabana. Ela contou que acompanhou a obra durante anos apenas do lado de fora e comemorou a oportunidade de finalmente conhecer o espaço internamente.
“Eu passei muito tempo passando na calçada e apreciando a obra. Sempre naquela expectativa de conhecer por dentro. E hoje chegou o dia”, afirmou.
Sônia acredita que o novo MIS tem potencial para se tornar um dos principais pontos culturais e turísticos da cidade.
“Eu acredito que esse museu vai ser um dos pontos atrativos de turismo de maior relevância aqui para o bairro, para a cidade e para o estado também”, disse.
Como arquiteta, ela destacou o interesse pelos detalhes técnicos apresentados na exposição.
“Está interessante conhecer os materiais empregados, os escritórios que participaram do projeto e como vai ser a configuração do prédio daqui para frente”, comentou.
O casal Alessandra Ribeiro e Adriano Nascimento também participou da primeira visita pública. Moradores da Rua Duvivier, próxima ao museu, eles contaram que acompanharam toda a trajetória do terreno desde a época da antiga boate Help até a construção do novo equipamento cultural.
“A gente acompanhou esse processo todo. Desde a época da Help. Depois ficou um tempão fechado e a gente estava doido para abrir um museu”, contou Alessandra.
Ela destacou ainda a importância do espaço para a democratização do acesso à cultura.
“Acho que é uma oportunidade para todo mundo ter acesso à cultura. Vai agregar muito não só para Copacabana, mas para a cidade do Rio”, afirmou.
O casal levou o filho João, de cinco meses, para conhecer o museu pela primeira vez. Segundo Adriano, a intenção é frequentar o espaço regularmente.
“Quero tentar trazer sempre ele para cá. A gente ficou muito feliz de ser aberto aqui o MIS”, disse.
A integração entre a arquitetura e a paisagem da orla também chamou a atenção da arquiteta.
“Você vê o mar o tempo todo. Você perde aquela sensação do museu fechado. Parece uma continuação do calçadão”, comentou Alessandra.
A partir da semana seguinte, o sistema de agendamento será ajustado e as reservas deverão ser feitas semanalmente, a partir das terças-feiras, para visitas realizadas aos sábados e domingos.
Quando estiver totalmente finalizado, o museu deverá reunir salas para exposições temporárias e permanentes, espaços voltados à pesquisa, áreas educativas e um cineteatro. O projeto também prevê um auditório com capacidade para 280 pessoas, além de loja, cafeteria, restaurante com vista panorâmica, uma boate e um mirante.
A proposta é que o MIS atue como um centro de produção e preservação de memória cultural, registrando expressões contemporâneas da cidade, como o funk, o samba atual e manifestações ligadas à cultura digital.















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