Ex-governador do Rio, Cláudio Castro é alvo de operação da PFCarlos Elias/Arquivo O Dia
Cláudio Castro é alvo de operação da Polícia Federal
Agentes cumprem mandados de busca e apreensão na casa do ex-governador na manhã desta sexta
Rio - A Polícia Federal cumpre mandados de busca e apreensão na casa do ex-governador Cláudio Castro, na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste, na manhã desta sexta-feira (15). Ação mira atuação do Grupo Refit, antiga Refinaria de Manguinhos, suspeito de utilizar estrutura societária e financeira para esconder bens e movimentar recursos ao exterior.
Outro alvo é o empresário Ricardo Magro, dono da Refit. A corporação solicitou a inclusão do nome dele na lista de Difusão Vermelha da Interpol.
As investigações apuram possíveis fraudes fiscais, ocultação patrimonial e inconsistências relacionadas à operação de refinaria vinculada ao grupo. Ao todo, são cumpridos 17 mandados de busca e apreensão e sete medidas de afastamento de função pública nos estados do Rio, São Paulo e Distrito Federal, por determinação do Supremo Tribunal Federal.
Também foi determinado o bloqueio de cerca de R$ 52 bilhões em ativos financeiros, além da suspensão das atividades econômicas das empresas investigadas.
A investigação faz parte das apurações conduzidas pela Polícia Federal no âmbito da ADPF 635/RJ, relacionada a atuação de organizações criminosas e possíveis ligações com agentes públicos no Rio. A ação conta com apoio técnico da Receita Federal.
Fraude na Refit
A Refit, um dos maiores grupos empresariais do país no setor de combustíveis, foi alvo de uma megaoperação em novembro do ano passado por participação em um esquema de fraude fiscal. Na ocasião, os alvos eram suspeitos de integrarem uma organização criminosa e de praticarem crimes contra a ordem econômica e tributária e lavagem de dinheiro.
Segundo o secretário especial da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, a empresa deve cerca de R$ 26 bilhões aos cofres públicos do Brasil e é o segundo maior devedor de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) do Rio, com débitos de R$ 10 bilhões. A dívida da companhia corresponde a todo o orçamento que o estado tem para financiar as polícias Civil e Militar fluminenses.
As investigações apontaram ainda que a Refit movimentou mais de R$ 70 bilhões em um ano, por meio de empresas próprias, mais de 50 fundos de investimento e 15 offshores nos Estados Unidos para ocultar e blindar lucros. O Cira-SP frisou que diversas empresas ligadas ao grupo se colocam como laranjas para afastar a responsabilidade pelo recolhimento de ICMS.
Castro renunciou ao governo
Cláudio Castro renunciou ao governo do estado em março deste ano, com o objetivo de se candidatar ao Senado. No dia seguinte, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) retomou o julgamento que condenou Castro por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022 e declarou sua inelegibilidade até 2030.
Segundo a acusação, a Ceperj e a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) foram utilizadas para criar mais de 27 mil cargos irregulares comissionados para empregar cabos eleitorais e favorecer a reeleição do então governador em 2022.
Pela linha sucessória, o vice Thiago Pampolha é quem deveria assumir o cargo, mas ele renunciou ao cargo em maio de 2025 para assumir um cargo no Tribunal de Contas do Estado.
Terceiro na linha de sucessão, o então presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, teve o mandato cassado. Com isto, o desembargador Ricardo Couto, presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) assumiu o cargo de forma interina.
A reportagem tenta contato com a defesa de Castro. O espaço está aberto para eventuais manifestações.

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