Unidade de Pronto Atendimento Arquiteta Patrícia Marinho, em Nova IguaçuDivulgação / Prefeitura de Nova Iguaçu

Rio - O médico Fransérgio Junqueira de Castro e a servidora pública Mônica Branco Lopes Vieira da Silva foram desligados da Unidade de Pronto Atendimento Patrícia Marinho, em Nova Iguaçu, na Baixada, após serem denunciados por venda e aplicação ilegal de caneta emagrecedora. A informação foi confirmada ao DIA, na manhã desta sexta-feira (15), pela prefeitura do município.
Na tarde desta quinta (14), foram cumpridos três mandados de busca e apreensão na unidade de saúde, localizada no bairro Jardim Paraíso, e em endereços vinculados aos suspeitos. De acordo com a prefeitura, não foram encontrados os medicamentos mencionados na investigação. Os produtos citados não fazem parte da relação de remédios fornecidos pelo SUS na rede municipal.
O município também afirmou que os denunciados não eram efetivos da Secretaria Municipal de Saúde, mas vinculados à Organização Social Ideas, responsável pela gestão da UPA. Além disso, reforçou que assim que tomou conhecimento do caso, determinou o desligamento imediato dos envolvidos e do diretor-geral da unidade.
A Secretaria instaurou, nesta sexta, uma comissão de acompanhamento para apuração interna do caso e adoção das medidas administrativas necessárias. O município também disse que está colaborando integralmente com as autoridades responsáveis pela investigação e que não tolera qualquer prática irregular dentro das unidades de saúde.
A reportagem tenta apurar se os dois foram presos, assim como busca contato com a defesa de Fransérgio e Mônica, mas ainda não obteve respostas. O espaço segue aberto para manifestações.
Saiba mais
A investigação iniciou após uma denúncia anônima ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro sobre a venda irregular do medicamento Mounjaro dentro da unidade de saúde. Diligências confirmaram que pacientes eram orientados sobre o suposto tratamento mediante pagamento, e que a substância era aplicada ilegalmente durante o horário de funcionamento da UPA.
Segundo a denúncia, Mônica realizava o atendimento inicial e intermediava os contatos, enquanto Fransérgio era responsável pelas consultas e aplicações da substância, sem a realização de exames ou a adoção de protocolos médicos adequados.
As investigações apontam, ainda, que eram cobrados R$ 150 por aplicação do produto, com pagamentos feitos em dinheiro ou por Pix diretamente para a conta do médico. De acordo com o MPRJ, o produto era armazenado em ampolas, administrado por meio de seringas e não possuía identificação de origem, registro sanitário ou autorização do órgão regulador.