Selma Elizabeth Blum acompanhava a sessão a pedido de uma amiga promotoraLeonardo Brito / Agência O Dia
Juíza expulsa advogada durante júri pela morte de Henry Borel
Suspeita de olhar anotações dos jurados, Selma Elizabeth Blum negou irregularidade e afirmou ter se sentido humilhada
O quarto dia do julgamento de Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, e Monique Medeiros pela morte do menino Henry Borel, nesta quinta-feira (28), foi marcado por um momento de tensão no II Tribunal do Júri, no Centro. Uma advogada que acompanhava a sessão como espectadora foi retirada do plenário após ser advertida pela juíza Elizabeth Machado Louro sob suspeita de tentar olhar as anotações feitas por integrantes do Conselho de Sentença.
A interrupção aconteceu durante o depoimento de Débora Mello Saraiva, ex-namorada de Jairinho. A magistrada percebeu que a mulher, sentada na área reservada ao público, teria direcionado o olhar para a bancada onde estavam posicionados os jurados. Ela interrompeu a audiência e determinou que a advogada deixasse o local.
Após deixar a sala, a advogada Selma Elizabeth Blum. À imprensa, ela negou qualquer irregularidade, afirmou que apenas acompanhava a sessão e não tentou visualizar qualquer anotação dos jurados.
“Eu jamais faria isso. Eu honro a minha classe e a classe de todos os advogados. A doutora falou que eu estava olhando as anotações e os jurados, mas eu estava olhando para baixo. Não fiz anotação nenhuma”, afirmou.
Selma disse ainda que havia ido ao Tribunal do Júri para acompanhar a sessão e ver de perto o funcionamento do plenário a convite de uma amiga promotora. “Acabei de tirar minha OAB e estou estudando. Quero prestar concurso para o Ministério Público. Achei importante estar aqui para acompanhar um júri. Não tenho interesse em nenhuma das partes”, declarou.
Ainda segundo a advogada, a decisão da magistrada teria sido equivocada. “Eu acho que a juíza se equivocou e foi exagerada. Me senti humilhada e eu não merecia isso”, afirmou.
A juíza Elizabeth Machado Louro não comentou o episódio em plenário após a retirada da advogada. A sessão foi retomada normalmente depois de vinte minutos.
O julgamento de Jairinho e Monique Medeiros entrou no quarto dia com a oitiva de testemunhas de acusação e defesa. O ex-vereador responde por homicídio triplamente qualificado e tortura. Já Monique é acusada de homicídio por omissão e de descumprimento do dever de proteção do filho. Os dois negam as acusações.
A expectativa do Tribunal de Justiça do Rio é que o júri siga pelos próximos dias, com novos depoimentos antes dos interrogatórios dos réus e da decisão final do Conselho de Sentença. Até o momento, seis das 27 testemunhas listadas já foram ouvidas


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