Monique Medeiros é interrogada nesta terça-feira (2)Reginaldo Pimenta / Arquivo O Dia

Rio - O nono dia de julgamento do caso Henry Borel, iniciado nesta terça-feira (6), contará com o começo do interrogatório dos réus Monique Medeiros, mãe do menino, e Jairo Souza Santos Júnior, padrasto da criança. Segundo o advogado Hugo Novais, que defende a mulher, ela responderá todas as perguntas.
"Monique falará tudo que for perguntado. Ela não hesitará em responder nenhuma pergunta. Ela teria essa possibilidade constitucional, se considerasse um prejuízo. Monique vai responder tudo que for perguntado, de maneira estratégica. Isso não constitui manipulação da verdade, pelo contrário", explicou a defesa.
O assistente de acusação, Cristiano Medina, destacou que, na sua visão, os réus não inovarão nas versões durante o interrogatório.
"Entendo que no decorrer desses dias, a acusação conseguiu provar que Henry foi vítima de atos de torturas cruéis e teve uma morte agônica. Hoje, Monique e Jairo terão a oportunidade de trazer as suas versões. Entretanto, eu acredito que não irão inovar, irão tentar fazer valer aquilo que já disseram. Acredito na Justiça. Acredito que Leniel foi o único que caminhou em busca da verdade e para a sociedade ter provas robustas para dizer não a esse assassino cruel e calculista e para essa mãe omissa, que abdicou do seu dever de proteger o seu filho para acobertar os crimes do seu algoz", comentou.
Este já é o julgamento mais longo da história no Tribunal de Justiça do Estado do Rio (TJRJ). Nesta segunda-feira (1º), a defesa dos réus tentou afastar a tese de que Henry sofreu lesões fatais dentro do apartamento onde estava com a mãe e o padrasto. Última testemunha do dia ouvida no II Tribunal do Júri, no Centro do Rio, o médico legista Jeferson Evangelista Corrêa afirmou aos jurados que os ferimentos internos podem ter ocorrido até 48 horas antes da morte.
Ao longo de mais de três horas de depoimento, Jeferson contestou pontos centrais da perícia oficial do caso, questionou documentos médicos produzidos durante o atendimento no hospital e apresentou aos jurados a tese de que a laceração hepática descrita no laudo poderia ser resultado de um trauma anterior, com agravamento progressivo ao longo das horas seguintes.
Segundo ele, a lesão no fígado de Henry, descrita como uma ruptura de cerca de quatro centímetros e classificada como grau 2, seria compatível com situações traumáticas diversas. O médico citou como hipóteses possíveis quedas em brinquedos de parquinho, escorregador, bicicleta ou patinete, além de desaceleração em veículo.
O depoimento foi acompanhado com atenção pelo Ministério Público e pela assistência de acusação, que fizeram questionamentos sobre a análise do médico e confrontaram parte das conclusões apresentadas.
O júri popular começou na semana passada e já ouviu dezenas de testemunhas entre médicos, peritos, policiais civis, familiares e ex-companheiras de Jairinho.
Relembre o caso

Henry morreu aos 4 anos, na madrugada de 8 de março de 2021, depois de chegar desacordado ao hospital na Barra da Tijuca.

A investigação conduzida pela Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro concluiu que a criança foi vítima de agressões no apartamento onde estava naquela noite.

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro denunciou Jairinho e Monique por homicídio triplamente qualificado e tortura.

A acusação sustenta que o menino foi submetido a violência física e que a mãe se omitiu diante das agressões. Os dois negam os crimes.