Rio - A defesa de Monique Medeiros alegou aos jurados, no início da tarde desta quarta-feira (3), que ela responde ao processo apenas por ser mãe de Henry Borel. "Monique está sendo acusada simplesmente pelo fato de ser mãe, mulher", afirmou o advogado Hugo Novais.
No início da sustentação oral, que começou às 14h20, Novais chegou a abrir a toga e exibiu uma camiseta com imagens da cliente ao lado do filho. O advogado também relembrou os dois supostos episódios de agressão cometidos por Jairo contra Henry ao longo de fevereiro, argumentando que Monique não tinha como adotar medidas que pudessem evitar a morte da criança.
A advogada Florence Rosa, que também integra a defesa de Monique, fez críticas a comentários feitos por Leniel Borel, pai de Henry e ex-companheiro da cliente, sobre a ida de Monique ao salão de beleza dias após a morte do filho. A representante jurídica apontou que, no mesmo período, o pai de Henry também teve atitudes relacionadas à vida pessoal, como ida ao barbeiro e encontro com mulheres.
"Ninguém veio aqui e disse que Monique é uma péssima mãe porque o filho ficava jogado ou que não recebia cuidados. O que falam é sobre a roupa, sobre ela ir à academia... Com base em tudo o que foi dito neste processo, acho que eu também não sou uma boa mãe. Se entrarem nas minhas redes sociais vão me ver na academia, trabalhando... Se acontecer alguma violência contra o meu filho, é porque eu sou uma mãe fútil?", perguntou a defesa.
Florence acrescentou que Monique foi questionada diversas vezes sobre o motivo de não ter se separado de Jairinho após ter sido agredida por ele. A advogada, no entanto, destacou que a mesma pergunta não foi feita às ex-namoradas do ex-vereador que testemunharam no processo e também relataram episódios de violência.
Por fim, a defensora passou a questionar a atuação da babá Thayná Ferreira. Florence afirmou que, durante uma suposta agressão ocorrida em 2 de fevereiro, a funcionária teria feito piadas sobre o caso em uma conversa com o namorado, em vez de comunicar o fato à polícia ou a Monique, que não estava em casa. A defesa sustenta que, se a mãe está sendo acusada de omissão, a babá também deveria ser responsabilizada.
Na manhã desta quarta-feira (3), teve início a fase de debates finais entre acusação e defesa. Antes da manifestação da defesa, o assistente de acusação Cristiano Medina sustentou, no tribunal, que uma eventual omissão de Monique Medeiros não pode ficar impune. Ele ainda ressaltou que Jairinho sabia como não deixar marcas no corpo de Henry, pois ele era médico.
Este é o décimo dia do julgamento do caso Henry Borel. A previsão é de que seja o último dia antes da decisão dos júris de condenar ou inocentar os réus.
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