Adilson Oliveira Coutinho Filho, o AdilsinhoÉrica Martin / Arquivo O DIA

Rio - O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) denunciou Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, o ex-policial militar Rafael do Nascimento Dutra, o "Sem Alma", e Jefferson Rodrigues da Silva, o Jefe, pela morte do policial penal Bruno Kilier da Conceição Fernandes. A vítima foi assassinada aos 36 anos em junho de 2023, no Recreio dos Bandeirantes, Zona Sudoeste.
A prisão preventiva dos três também foi decretada pela Justiça. De acordo com o MPRJ, Bruno foi executado com tiros de fuzil na entrada de um condomínio na Estrada do Pontal, após ser monitorado pelo grupo criminoso por meio de um equipamento de rastreamento GPS instalado clandestinamente em seu carro.
As investigações revelaram que o policial penal representava uma fabricante de cigarros e teria se tornado um obstáculo aos interesses da organização criminosa liderada por Adilsinho. O grupo é apontado como responsável por tentar monopolizar a comercialização ilegal de cigarros no estado. Segundo a denúncia, o crime integra uma série de homicídios relacionados à chamada "máfia do cigarro", que também mantém ligações com disputas envolvendo o jogo do bicho.
Rafael é apontado como homem de confiança do bicheiro e participou da logística do monitoramento e do planejamento da execução. Já Jefe teria adquirido, configurado e fornecido o rastreador utilizado para acompanhar os deslocamentos da vítima.
Adilsinho estava detido desde fevereiro deste ano, após uma operação da Polícia Federal e da Polícia Civil em Cabo Frio, na Região dos Lagos. Ele foi transferido para a Penitenciária Federal de Brasília, no Distrito Federal. A decisão da Justiça determinou a permanência dele na prisão de segurança máxima.
Em julho de 2023, o Disque Denúncia pediu informações para auxiliar na localização do "Sem Alma". O ex-PM, que era Lotado no 15º BPM (Duque de Caxias), foi apontado como líder de um grupo de assassinos de aluguel, responsável - segundo as investigações - pela morte do miliciano Marco Antônio Figueiredo Martins, o Marquinho Catiri, em novembro de 2022. Ele está foragido desde então.
A reportagem tenta contato com as defesas dos acusados, mas ainda não obteve respostas. O espaço segue aberto para manifestações.
Adilsinho
O bicheiro era considerado um dos criminosos mais procurados do estado. Ele era o principal investigado da Operação Libertatis II, deflagrada em março de 2025, e estava foragido. Contra ele havia pelo menos quatro mandados de prisão em aberto. Na Justiça Federal, é apontado como chefe da máfia dos cigarros ilegais no estado. Já na Justiça do Rio, também responde como mandante da execução de Marquinhos Catiri, além de ser acusado de ordenar os assassinatos de Fábio Alamar Leite e Fabrício Alves Martins de Oliveira.

De acordo com as investigações da época, Adilsinho integra a cúpula do jogo do bicho no Rio e é considerado o maior produtor e distribuidor de cigarros falsificados do estado. A FICCO/RJ aponta que ele atuava em uma organização criminosa armada e com atuação transnacional, especializada no comércio ilegal de cigarros, com domínio territorial e imposição de violência e intimidação.

Segundo a Polícia Federal, a trajetória criminosa do bicheiro começou há cerca de duas décadas, quando fabricava e desenvolvia softwares para máquinas de videobingo adulteradas, conhecidas como "draculinhas". Ao longo dos anos, ele ascendeu dentro da estrutura da contravenção até ocupar posição de liderança no submundo do crime organizado fluminense.