Defesa de Jairo Souza Santos Júnior apontou supostas falhas na investigação policialTomaz Silva / Agência Brasil

Rio - Na reta final do julgamento pela morte de Henry Borel, a defesa de Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, concentrou sua tréplica em ataques à investigação policial, aos laudos periciais e aos depoimentos de testemunhas que embasam a acusação. Em sua sustentação, o advogado Zanone Júnior afirmou que o ex-vereador está sendo julgado com base em uma narrativa construída ao longo dos últimos cinco anos e sustentou que não existem provas suficientes para condená-lo pelos crimes atribuídos pelo Ministério Público.
Ao longo da fala, a defesa questionou a credibilidade de testemunhas como a ex-babá Thayná e a adolescente Kailane, citando supostas contradições e mudanças de versão. O advogado também criticou o que chamou de "demonização" do réu e alegou que acusações feitas por ex-companheiras e familiares foram utilizadas para reforçar uma imagem negativa de Jairinho perante a opinião pública.
Outro ponto importante da argumentação foi a contestação das conclusões periciais sobre as lesões encontradas no corpo de Henry. A defesa voltou a levantar dúvidas sobre a cronologia dos ferimentos, questionou a interpretação dos laudos médicos e apontou possíveis falhas no atendimento prestado ao menino no hospital. O advogado também mencionou divergências entre prontuários médicos, exames de imagem e registros hospitalares, sustentando que não houve esclarecimento completo sobre os procedimentos realizados durante a tentativa de reanimação da criança.
A defesa ainda criticou a condução do inquérito pela Polícia Civil e afirmou que determinados elementos que poderiam favorecer Jairinho não teriam sido devidamente investigados. Segundo o advogado, informações relacionadas a câmeras de segurança, registros eletrônicos e documentos médicos teriam sido ignoradas ou não aprofundadas pelas autoridades. Em diversos momentos, ele afirmou que a acusação se apoia em hipóteses e interpretações, e não em provas concretas.
Durante a sustentação, a defesa também questionou a inclusão dos episódios de tortura atribuídos ao ex-vereador antes da morte de Henry. Segundo ele, não há elementos suficientes para comprovar algumas das agressões descritas na denúncia. O advogado citou trechos de relatórios policiais e depoimentos para defender que parte das acusações não foi confirmada por provas técnicas ou testemunhais.
A tréplica da defesa de Jairinho encerrou um dia marcado por fortes embates entre acusação e defesa. Mais cedo, a advogada Florence Rosa, que representa Monique Medeiros, sustentou que sua cliente está sendo julgada com base em preconceitos e não em provas. Ela afirmou que o Ministério Público dedicou grande parte da argumentação a criticar o comportamento pessoal da mãe de Henry e alegou que a acusação não conseguiu demonstrar que Monique tinha conhecimento das agressões sofridas pelo filho.
Henry Borel morreu em 8 de março de 2021, aos 4 anos, após dar entrada em estado gravíssimo no Hospital Barra D'Or, na Zona Oeste do Rio. De acordo com a denúncia do Ministério Público, Jairinho teria submetido a criança a sucessivas agressões físicas até provocar sua morte. Monique é acusada de omissão em relação às agressões e aos episódios de tortura apontados pela investigação. Ambos negam as acusações.
Após as manifestações finais das defesas e da acusação, os jurados receberam os quesitos que irão orientar a votação sobre a responsabilidade dos réus nos crimes imputados. O Conselho de Sentença decidirá se Jairinho e Monique serão condenados ou absolvidos pelas acusações relacionadas à morte de Henry Borel.