Rio - Familiares e vizinhos do comerciante Leonel Braga da Silva afirmam que ele foi morto a tiros após se recusar a pagar uma taxa cobrada por milicianos na região de Nova Aurora, em Belford Roxo, na Baixada Fluminense. A vítima acabou sendo assassinada na tarde de terça-feira (2), após ser abordada por criminosos próximo ao lava-jato do qual era dono.
A Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF) investiga o caso e ouve as testemunhas que podem esclarecer a motivação. Imagens de câmeras de segurança também devem auxiliar na identificação dos envolvidos. Ninguém foi preso até o momento.
Nas redes sociais, familiares, amigos e moradores da região demonstraram preocupação com a violência. Segundo relatos, integrantes da milícia teriam se irritado porque Leonel não teria acatado a ordem de pagar uma taxa mensal de R$ 100.
"Um dia triste em que a covardia e a impunidade toma conta do bairro de nova Aurora! Um pai de família honrado e trabalhador foi ceifado pela violência que cresce todos os dias. Até quando criminosos vão matar pais de famílias e a corrupção vai deixar eles impunes? Descanse em paz, Leonel. Que Deus te receba de braços abertos"; "Leonel sempre foi irmão de todos, cara do bem, que viveu a vida toda trabalhando, nunca fez mal para ninguém"; Um ser humano incrível, honesto, trabalhador e amigo", escreveram alguns conhecidos do comerciantes.
Além de administrar o lava-jato, Leonel também trabalhava como motorista, realizando o transporte de grupos de uma igreja de Belford Roxo para passeios aos fins de semana. "Que Deus possa confortar o coração de todos os familiares. Ele também nos transportava nas saídas da nossa igreja. Era um menino bom e trabalhador", escreveu uma moradora nas redes sociais.
Ainda não há informações sobre o sepultamento de Leonel.
Ação contra milicianos
Em agosto de 2025, três integrantes de uma milícia que praticava extorsões semanais contra pessoas que trabalhavam em regiões de Nova Iguaçu e Belford Roxo foram presos pelo Ministério Público do Rio. De acordo com o órgão, o grupo criminoso exigia que comerciantes, motoristas de vans, mototaxistas, empresas de internet e TV a cabo realizassem os pagamentos das taxas em dinheiro em espécie ou por transferência bancária. As demandas financeiras eram feitas à base de ameaças de agressões, incêndio de bens e até morte.
A operação, nomeada "Reinado Dividido", apontou que, Jefferson Constant Jasmim, conhecido como Deco ou 01, liderava a organização de dentro da cadeia. O homem autorizava extorsões, controlava recursos, organizava a compra de armas e planejava atos violentos.
As investigações também identificaram a participação de Bruno Feliphe de Sousa Queiroz, apontado como gerente operacional; Michael Fernando Griebeler Borges, o Big Mac, responsável por cobranças e repasses financeiros; e Renato dos Santos Marques, o Renatinho, encarregado de extorsões e intimidações armadas.
Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.