O caso é investigado pela Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam) de São João de MeritiDivulgação

Rio - A Polícia Civil indiciou o ginecologista Carlos Alfredo Mendes de Oliveira, de 71 anos, pelo crime de abuso sexual durante consultas médicas em São João de Meriti, na Baixada Fluminense. Segundo a Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam) do município, até o momento, as investigações de dois inquéritos foram concluídas e encaminhadas à Justiça do Rio.
Atualmente, Carlos Alfredo está impedido de exercer a medicina em todo o país por determinação judicial. Além disso, ele é alvo de um procedimento em tramitação no Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj), que corre sob sigilo, conforme prevê o Código de Processo Ético-Profissional. Em nota, o Conselho informou ainda que foi instaurada uma sindicância para apurar os fatos mais recentes.
Após a divulgação do caso em uma reportagem do 'RJTV 1', na quarta-feira (3), duas novas vítimas procuraram a unidade, que iniciou novas investigações para apurar as denúncias.

De acordo com os relatos, o ginecologista teria praticado os abusos durante consultas que exigiam exames com toque, como o preventivo. Uma das mulheres que acusa o médico de abuso sexual publicou um relato nas redes sociais detalhando que o crime contra ela aconteceu em 28 de janeiro deste ano. A vítima afirma que o exame não foi acompanhado por uma funcionária da clínica e que chegou a se questionar se os toques indevidos seriam algo "normal".

"Era para ser um dia normal aquele 28/01/2026, mas não foi. Depois daquele dia, nenhum outro tem sido normal. Eu nunca havia feito qualquer exame ginecológico com um médico homem, então não sabia que era necessária a presença de uma secretária durante o procedimento. Naquele dia, não havia acompanhante para nenhuma paciente. Ele era bem educado, bem 'atencioso', fazendo com que eu me questionasse se estava louca ou se era tudo normal e, ao mesmo tempo, me fazendo pensar: não acredito que estou passando por isso. E não, eu não dei liberdade ou 'confiança' para que tudo isso acontecesse", relatou a paciente.

Ainda segundo a vítima, ela convive atualmente com sentimentos de culpa pelo ocorrido. "Culpa por não ter conseguido fazer nada, culpa por não ter reagido, culpa por tê-lo deixado tocar em mim. Mas, quando estamos na posição de vítima, tudo muda de forma absurda e inexplicável. Por mais que me digam que a culpa não é minha, o sentimento que fica é esse. Hoje, conseguir dormir tem sido uma batalha; sorrir para as pessoas como se nada tivesse acontecido tem sido estranho; fazer a mente esquecer de tudo tem sido torturante", desabafou.