Monumento a Estácio de Sá, no Aterro do Flamengo, tem sido alvo de vandalismoReginaldo Pimenta / Agência O Dia

Rio - Tombado pelo Instituto Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o Monumento a Estácio de Sá, no Aterro do Flamengo, tem sido alvo de depredação e vandalismo. Além do lixo acumulado ao redor do memorial, incluindo uma seringa, a estrutura teve sua claraboia quebrada, iluminação danificada e está sem cadeado. Na manhã desta terça-feira (9), moradores da região relataram a O DIA a sensação de insegurança na área e lamentaram a depredação do monumento.
O estudante universitário Pedro Silva, 24 anos, costuma levar seu cachorro para passear pelo Aterro do Flamengo. Ele destacou que a preservação da estrutura é uma forma de conservar a história da cidade.
"De uns dois meses para cá, tenho visto mais guardas por aqui, mas não me sinto muito seguro. Eu acho que, com policiamento constante e preocupação da prefeitura em manter conservado, fazer reformas, poderia ser melhor. Precisa de mais cuidado e atenção do poder público, até para conservar a história da cidade. Estácio de Sá é uma pessoa muito importante para a fundação do Rio de Janeiro", lamentou o estudante.
Nos últimos três meses, ao menos outros três monumentos icônicos da cidade foram alvo de vandalismo. No Leblon, a estátua do Cazuza teve seu óculos de bronze furtado. Ainda na Zona Sul, a homenagem o escritor e jornalista Otto Lara Resende, no Jardim Botânico, perdeu o assento da cadeira e os livros que compunham a obra. No mesmo bairro, a cerca de 200 metros, a estátua do comunicador José Abelardo Barbosa de Medeiros, o Chacrinha, está sem microfone e bacalhau.
A administradora Regina Silva esteve no Aterro do Flamengo, na manhã desta terça-feira, e reforçou que os atos de vandalismo são constantes na cidade. "O monumento está depredado assim como todos os monumentos do Rio de Janeiro. Isso é uma situação constante e recorrente. Não sei se é só uma questão de policiamento ou da prefeitura ser mais ativa", pontuou.
A insegurança é um ponto recorrente nos relatos dos moradores. A dentista Gabrielle Nantes, 33, contou que já presenciou diversas vezes assaltantes escondidos nas árvores da região com objetivo de surpreender e roubar as vítimas.
"Está faltando muito policiamento. Teve uma época que ainda ficavam agentes de segurança, mas agora não tem mais. O pessoal está vindo ainda mais tarde, porque tem muitos moradores em situação de rua ou até assaltantes escondidos atrás das árvores. Eles roubam e saem correndo pelo meio dos carros. Eu já vi três vezes. No fim de tarde já não tem mais luz e fica por isso mesmo", criticou.
A oceanógrafa Nicole Medina, 51, relatou um assalto sofrido pela tia dela na última semana. "Algumas ruas são complicadas, principalmente à noite. Vejo pouco policiamento, poderia ser melhor. Minha tia foi assaltada por aqui na semana passada. Estava com um cordão de ouro, passou uma moto e o assaltante pegou e fugiu. Aqui está complicado", apontou.
Para escapar da violência, o professor universitário Yago Lopes, 32, decidiu caminhar no Aterro do Flamengo em horários de maior circulação. Nesta manhã, ele se sentou para descansar e tomar uma água de coco, mas se manteve alerta.
"Eu evito passar por aqui depois das 18h em função de algumas notícias que a gente vê de roubo. Prefiro vir em um horário de pico, com mais gente caminhando, para me sentir mais seguro. Eu daria uma nota 7 para o policiamento por causa desses acontecimentos. A região do Flamengo tem aumentado o nível de violência nos últimos tempos", opinou.
O Monumento a Estácio de Sá, inaugurado em 1973, possui uma área de 450 m² e um dos vértices aponta para o Morro do Cão, local de fundação da cidade. Em sua área interna, foram colocados impressos o primeiro mapa quinhentista da Guanabara e o brasão do fundador. O projeto da obra foi do arquiteto e urbanista Lúcio Costa.