Carol e Caio construiram a hamburgueria para um projeto maior: casamentoDivulgação
Segundo Carol, o casal abriu mão de muitas experiências comuns a relacionamentos para investir no negócio. "Abrimos mão até mesmo de coisas básicas para investir tudo o que podíamos na construção de um futuro". A chef de cozinha explica que durante o processo de criação da hamburgueria eles aprenderam a ter paciência. "Quando um enfraquecia, o outro sustentava. Quando um se frustrava, o outro trazia esperança. Quando um chorava, o outro lembrava o motivo pelo qual tudo havia começado. Nosso relacionamento criou raízes nessa construção", diz.
Hoje o casal celebra a conquista da Bless Burguer. "Cada cliente, cada reconhecimento, cada porta que se abre tem um significado especial para nós, porque sabemos exatamente o preço que foi pago para chegar até aqui. E é isso que nos motiva todos os dias: a esperança de ver esse sonho prosperar, de construir a família que desejamos e de olhar para trás, no futuro, com a certeza de que valeu a pena não desistir", conclui.
Já Fernanda Machado e Alex Ribeiro criaram, em 2017, a FALA Entretenimento e Eventos, empresa responsável pelo Festival Conectadas, evento voltado exclusivamente ao empreendedorismo feminino e organizado pelo casal. Embora a empresa tenha sido criada em 2017, os dois empreendem juntos desde 2010. "Eu e Alex começamos a organizar eventos de futevôlei na praia. Não tínhamos CNPJ, planejamento estratégico ou equipe. Tínhamos apenas disposição para trabalhar, vontade de construir algo nosso e a coragem de aprender fazendo", conta Fernanda.
Para ela, empreender em casal é uma experiência única. "Existe uma confiança construída dentro da relação que fortalece o trabalho, mas também existem desafios que exigem maturidade e diálogo constantes. Nem sempre concordamos sobre tudo. Temos opiniões diferentes, visões distintas e, muitas vezes, enxergamos caminhos diferentes para resolver um mesmo problema. Mas aprendemos que respeitar a opinião do outro é tão importante quanto defender as próprias ideias", diz.
A empresária destaca que um dos maiores desafios é encontrar equilíbrio entre os negócios e a vida familiar. "Quando o sócio divide a mesma mesa de jantar, a mesma casa e os mesmos sonhos, é preciso criar limites para que os assuntos da empresa não ocupem todos os espaços da vida pessoal. Nem sempre conseguimos, mas seguimos aprendendo", pontua.
Segundo Fernanda, o 'Festival Conectadas' nasceu do desejo de gerar impacto social e econômico por meio do empreendedorismo feminino. "O que começou como um sonho se transformou em um movimento que reúne centenas de mulheres empreendedoras, especialistas, lideranças e profissionais que acreditam no poder da colaboração. A cada edição, temos a oportunidade de acompanhar histórias de transformação, novos negócios surgindo, parcerias sendo construídas e mulheres descobrindo seu potencial", conclui.
Já para Rosa Bernhoeft, especialista em mentoria e formação de líderes com 50 anos de carreira, o resultado depende de como o casal se organiza. "No Brasil, cerca de 90% das empresas possuem perfil familiar, de acordo com o IBGE. Na prática, casais que empreendem juntos encontram vantagens reais. Eles costumam ter uma comunicação mais direta, um propósito compartilhado, confiança mútua e um nível de comprometimento raro de se ver em outras sociedades", conta.
Mas a especialista ressalta que a ausência de fronteiras claras entre o espaço profissional e o pessoal exige cuidado. "As tensões do escritório podem acabar na mesa de jantar, assim como os desafios domésticos podem surgir durante uma reunião de equipe. Esse é um risco natural. A grande questão é o quanto o casal está preparado para reconhecer e gerenciar esses momentos com maturidade", diz.
João pontua que o principal desafio é entender que amor e gestão exigem habilidades diferentes. "Muitas vezes, um conflito pessoal pode acabar sendo levado para o ambiente profissional, ou uma decisão de negócios pode ser interpretada como algo pessoal. A melhor forma de evitar isso é estabelecer papéis muito claros, e outro ponto importante é manter uma comunicação transparente. Problemas precisam ser resolvidos rapidamente, sem acumular ressentimentos. Quando existe confiança e respeito profissional, fica mais fácil separar as situações".
Rosa explica que separar a vida profissional da vida amorosa, quando o casal divide a gestão de um negócio, depende de algumas atitudes. "A primeira delas é criar rituais de transição. Definir um horário claro para encerrar o expediente, organizar um espaço físico separado para o trabalho (mesmo em home office) e combinar quais assuntos ficam de fora da mesa de jantar são práticas simples que protegem a qualidade da vida afetiva".
"A segunda escolha é cultivar identidades individuais. O negócio é uma construção compartilhada, mas cada parceiro precisa manter seus próprios espaços, amizades, interesses e projetos pessoais. Quando o casal funde completamente as identidades profissional e pessoal, qualquer instabilidade em um dos lados ameaça o conjunto. Preservar a individualidade é, paradoxalmente, um fator que fortalece a união".
"A terceira atitude é tratar o negócio com o rigor que ele exige. Isso inclui ter as conversas difíceis durante o horário de trabalho, com os papéis bem definidos, evitando levar essas questões para o quarto ou para a viagem de fim de semana. O que pertence à empresa deve ser resolvido na empresa", conta Rosa.
Na visão de João, três fatores são fundamentais para que um casal alcance sucesso nos negócios: confiança, admiração e complementaridade. "É muito difícil construir uma empresa ao lado de alguém que você não admira profissionalmente. Também é essencial confiar nas decisões do outro e entender que ninguém precisa ser bom em tudo. No fim, empreender em casal não é sobre passar mais tempo junto. É sobre construir algo maior do que os dois, compartilhando responsabilidades, desafios e conquistas na mesma direção", fala.
Rosa conclui que casais que mais prosperam têm muita clareza do motivo pelo qual estão empreendendo juntos, e essa resposta sempre vai além do retorno financeiro. “Quando existe um propósito comum, os obstáculos do dia a dia ganham um sentido maior. O negócio se transforma em uma expressão conjunta de valores e de visão de futuro. No fim das contas, o que transforma o amor em um bom negócio é a mesma essência que faz qualquer relacionamento prosperar: intenção, presença e a disposição genuína de cuidar do que foi construído”.





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