Delegado da Polícia Federal Lorenzo Martins Pompílio da Hora foi condenado por corrupção e lavagem de dinheiroÉrica Martin/ Arquivo Agência O Dia

Rio - A Justiça Federal do Rio de Janeiro condenou o delegado da Polícia Federal Lorenzo Martins Pompílio da Hora pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A sentença da 7ª Vara Federal Criminal fixou pena de dez anos e seis meses de prisão em regime fechado, além da perda do cargo público. Ainda é possível recorrer da decisão.
Segundo a denúncia do Ministério Público Federal (MPF), o então delegado recebeu um veículo avaliado em cerca de R$ 70 mil como propina para interferir em investigação policial em 2017. Para ocultar a origem do bem, o veículo foi registrado inicialmente em nome de terceiros e posteriormente transferido para o nome da mulher de  Lorenzo Martins, sem que houvesse qualquer comprovação de pagamento compatível com a suposta compra.
A decisão também concluiu que a transferência do veículo para o nome da mulher do delegado constituiu ato de lavagem de dinheiro. Nas alegações apresentadas ao longo da ação penal, o MPF sustentou que o episódio não era um fato isolado, mas reproduzia o mesmo padrão de atuação identificado em outros casos investigados pela Operação Tergiversação.
Operação Tergiversação
As investigações envolvendo o delegado da PF é um dos desdobramentos da Operação Tergiversação, conduzida pelo MPF que revelou uma organização criminosa instalada na Superintendência Regional da Polícia Federal no Rio de Janeiro. Segundo as apurações, agentes públicos e intermediários abordavam empresários investigados ou citados em inquéritos policiais para exigir pagamentos em troca de favorecimentos, interferências em investigações ou proteção contra possíveis desdobramentos das apurações. O esquema teria movimentado cerca de R$ 10 milhões em propinas entre 2013 e 2017.
A reportagem tenta contato com a defesa do delegado Lorenzo Martins Pompílio da Hora. O espaço está aberto.