MPF denuncia onze pessoas, incluindo delegado federal, na Operação Tergiversação

Segundo investigações, delegados e escrivão da PF receberam mais de R$ 5 milhões em propina para beneficiar empresários em investigações

Por O Dia

PM foi levado para a Superintendência da Polícia Federal, na Zona Portuária
PM foi levado para a Superintendência da Polícia Federal, na Zona Portuária -
Rio - O Ministério Público Federal (MPF) denunciou, nesta semana, seis pessoas que integravam uma organização criminosa que atuava dentro da Superintendência da Polícia Federal no Rio de Janeiro e outras cinco pessoas que praticaram crimes de corrupção ativa e passiva ligados ao esquema criminoso. Entre os denunciados estão um delegado da Polícia Federal (PF), Lorenzo Martins Pompílio da Hora (seis crimes de corrupção passiva e um por participação em organização criminosa) e um escrivão da PF, Éverton da Costa Ribeiro (seis crimes de corrupção passiva e um por participação em organização criminosa), além de um delegado aposentado.

A denúncia é resultado de investigação realizada a partir de um inquérito instaurado para apurar esquema criminoso envolvendo a solicitação de vantagens indevidas por servidores lotados no Núcleo de Repressão a Crimes Postais, para que excluíssem os nomes de empresários e de suas empresas das investigações em curso naquele núcleo.

A Operação Tergiversação, deflagrada no mês passado, desarticulou o grupo criminoso com o cumprimento de seis mandados de prisão preventiva, três mandados de prisão temporária e 25 mandados de busca e apreensão determinados pela 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro.

As investigações desenvolvidas pelo Ministério Público Federal e pela Polícia Federal revelaram esquema de cobrança de propina dos investigados e potenciais investigados nos inquéritos policiais relacionados às Operações Titanium (fraudes envolvendo o Plano de Saúde dos Correios) e Viupostalis/Recomeço (fraudes envolvendo o Postalis, fundo de pensão dos funcionários dos Correios), que, conforme apuração conjunta do MPF e PF, eram feitas pelo delegado Lorenzo Pompílio da Hora, com o apoio do escrivão Éverton da Costa Ribeiro, lotados à época no Núcleo de Repressão a Crimes Postais da Delepat/RJ. Com a cobrança generalizada de propinas em valores elevados de diversos investigados nas Operações Titanium e Viupostalis, a soma das quantias envolvidas no esquema criminoso, ao menos em relação aos pagamentos de propina já identificados e apontados na denúncia, ultrapassa R$ 5 milhões.

Durante as investigações, o MPF fez acordos de colaboração premiada com alguns dos empresários que relataram terem recebido solicitação de vantagens indevidas por parte dos operadores Marcelo Guimarães e Rosalino Felizardo de Santana Neto, que atuavam em nome dos delegados e do escrivão que comandavam as investigações. A solicitação das vantagens indevidas era feita para evitar a exposição na mídia de investigados e potenciais investigados e favorece-los nas apurações conduzidas pelos investigadores quanto às irregularidades no Postalis e no Plano de Saúde dos Correios. Os pagamentos, que variaram de R$ 450 mil a R$ 1,5 milhão, eram feitos na maior parte das vezes em dinheiro, mas em alguns casos foram repassados por meio de transferências a empresas ligadas aos operadores Marcelo e Rosalino.

Foram denunciados ainda quatro empresários que participaram do esquema criminoso e fizeram o pagamento de vantagens indevidas e outros dois integrantes da organização criminosa, Luís Henrique do Nascimento Almeida, que atuou em atos de lavagem de ativos e movimentava recursos em espécie nas atividades do grupo e João Alberto Magalhaes Cordeiro Junior que, além de efetuar pagamentos para ser favorecido nas investigações da Operação Titanium, atuou como intermediário, abordando empresários para participação no esquema.
Uma assinatura que vale muito

Contribua para mantermos um jornalismo profissional, combatendo às fake news e trazendo informações importantes para você formar a sua opinião. Somente com a sua ajuda poderemos continuar produzindo a maior e melhor cobertura sobre tudo o que acontece no nosso Rio de Janeiro.

Assine O Dia

Comentários