Lei Seca poderá ganhar equipamento para detectar outras substâncias além do álcool Divulgação
Apesar da expectativa em torno da nova tecnologia, ainda não existe regulamentação federal que autorize o uso dos drogômetros na fiscalização de trânsito no Brasil. A eventual adoção desses equipamentos depende da validação técnica e da regulamentação pelos órgãos competentes.
Autor do projeto que deu origem à Lei Seca, o deputado federal Hugo Leal afirmou que a legislação vem passando por constantes aperfeiçoamentos desde sua criação, em 2008. Segundo ele, a ampliação da fiscalização para outras substâncias psicoativas é uma necessidade diante dos riscos que elas representam no trânsito.
"A Lei Seca não ficou parada nesses 18 anos. Seguimos aperfeiçoando a legislação para que ela seja cada vez mais efetiva. Já discutimos em vários ambientes a questão de outras drogas. É necessário avançar para outras substâncias que também comprometem a capacidade do motorista", destacou.
Dados da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) mostram a dimensão da fiscalização ao longo desse período. Entre junho de 2008 e maio de 2026, mais de 3,7 milhões de infrações relacionadas à Lei Seca foram registradas no país. Desse total, cerca de 66% correspondem à recusa do motorista em realizar o teste do bafômetro.
No Rio de Janeiro, onde as operações começaram em 2009, já foram realizadas mais de 42,6 mil blitzes, com quase cinco milhões de motoristas abordados.
A transformação também é percebida por quem atua diretamente nas ações educativas. Elaine Dutra, que ficou paraplégica após ser vítima de um motorista alcoolizado em 2003 e atualmente trabalha como agente de educação da Operação Lei Seca, afirma que houve redução significativa dos acidentes relacionados ao consumo de álcool.
"Hoje somos bem aceitos em bares e eventos. Ouvimos nos hospitais que o número de traumas envolvendo álcool e direção caiu muito. É um trabalho de conscientização que acontece aos poucos", relatou.
Apesar dos avanços, especialistas e autoridades apontam que a conscientização da população, principalmente dos jovens, continua sendo um dos principais desafios. Neste mês, a Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados promoveu um seminário para discutir os impactos da Lei Seca e estratégias para fortalecer a educação no trânsito.
A legislação brasileira já prevê punição para quem dirige sob a influência de qualquer substância psicoativa. Atualmente, quando o agente identifica sinais de alteração da capacidade psicomotora compatíveis com o uso de entorpecentes, o condutor é encaminhado à delegacia, onde são adotados os procedimentos legais e realizados exames periciais para comprovar a infração.
Caso algum dos drogômetros em teste seja certificado pelo Inmetro e regulamentado pelos órgãos competentes, a tecnologia poderá ser incorporada às operações da Lei Seca no Estado do Rio de Janeiro.

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