Rute dos Santos, de 76 anos, é moradora da parte alta do Vidigal DIVULGAÇÃO
Tecnologia ajuda a reduzir falta d’água em áreas altas de favelas
Sistema de controle remoto de bombas já funciona em mais de 15 comunidades e busca dar mais regularidade ao abastecimento
Para quem mora nas partes mais altas das comunidades do Rio, abrir a torneira e encontrar água nem sempre foi algo garantido. Em áreas de ruas estreitas, moradias espalhadas por encostas e acesso difícil, o abastecimento costuma depender de sistemas capazes de vencer desníveis e limitações da própria geografia.
No Vidigal, em São Conrado, essa realidade fez parte da rotina de Rute dos Santos, de 76 anos. Durante décadas, ela precisou adaptar tarefas básicas do dia a dia à falta d’água.
“Durante 38 anos eu fui obrigada a subir e descer vários degraus com baldes cheios para conseguir jogar no vaso e dar descarga. Para lavar a roupa, então, era um sacrifício. Eu tinha que descer com a roupa suja, lavar no tanque e, depois, subir tudo novamente. Era uma luta”, conta.
Para tentar reduzir situações como essa, a concessionária Águas do Rio implantou um sistema de automação que permite controlar e ajustar, à distância e em tempo real, o funcionamento das bombas responsáveis por levar água às áreas mais elevadas das comunidades.
A tecnologia utiliza inversores de frequência, que são equipamentos que regulam a operação das bombas conforme a necessidade do sistema, e já está instalada em mais de 15 favelas da cidade. Vidigal e Parque da Cidade, ambos na Zona Sul, foram as localidades mais recentes a receber a estrutura. Segundo a concessionária, cerca de 30 mil moradores dessas duas comunidades devem ser beneficiados.
O sistema é acompanhado pelo Centro de Operações Integradas (COI), na Praça Mauá, de onde equipes monitoram o desempenho dos equipamentos e fazem ajustes remotos quando necessário.
Além do controle operacional, a tecnologia permite acompanhar padrões de consumo e identificar variações que possam comprometer o abastecimento, reduzindo o tempo de resposta em situações de instabilidade.
De acordo com a Águas do Rio, o equipamento foi desenvolvido a partir das dificuldades encontradas no abastecimento de regiões com grande variação de altitude e acesso limitado.
A expectativa é ampliar o uso do sistema em outras áreas atendidas pela concessionária para aumentar a regularidade do fornecimento e reduzir oscilações no abastecimento.



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