As novas enfermarias receberam ambientação inspirada na floresta para tornar a internação mais acolhedoraÉrica Martin/Agência O Dia
Segundo o secretário municipal de Saúde, Rodrigo Prado, a proposta é tornar a internação mais acolhedora e contribuir para a recuperação dos pacientes. "São instalações mais acolhedoras para as crianças. Elas estão todas enfeitadas com animais, temas lúdicos para que a criança esteja em um ambiente mais acolhedor, mais humanizado. E isso também ajuda ela a melhorar", afirmou durante a inauguração do espaço. Questionado sobre a liberação dos quartos para receber pacientes, o secretário disse que a expectativa é de que os novos espaços comecem a funcionar na próxima semana.
A diretora-geral do Hospital Municipal Jesus, Cláudia Nastari de Paula, explicou que as enfermarias atenderão principalmente crianças com doenças respiratórias crônicas e quadros complexos, que costumam permanecer internadas por períodos prolongados.
"A gente esperava que não fosse um ambiente para ser ocupado por crianças, mas a gente precisa internar essa faixa etária que apresenta doenças crônicas, complexas, que podem precisar passar muito tempo no hospital. Então, ter um espaço de troca humanizado, onde elas possam estar imaginando coisas, criando coisas, vivendo naquele mundo imaginário, tira um pouco desse momento de sofrimento", explicou.
De acordo com a diretora, a humanização também beneficia familiares e acompanhantes. "É importante para a família como um todo, pois é um ambiente mais tranquilo. O que observamos nesses espaços humanizados é que a resposta terapêutica é muito mais eficaz, o tempo médio de internação diminui e isso, para quem trabalha em um hospital pediátrico, é maravilhoso. Conseguimos observar, por meio de dados concretos, a melhora das crianças e o impacto positivo dessa ambientação durante a internação", afirmou.
Outra novidade é a identificação dos leitos. Além da numeração tradicional, cada cama será associada a um animal ilustrado nas camas. "O leito tem um número, mas também vai ter o nome do animal desenhado. Vai ser o leito da onça-pintada, o leito da capivara. Acho que isso cria uma identificação melhor da criança com o espaço. Ela não está internada apenas em um número, mas no leito da capivara. Isso faz toda a diferença", destacou Cláudia.
A diretora do Instituto Desiderata, Renata Couto, ressaltou que o objetivo do projeto vai além da decoração. "Pesquisas mostram que espaços lúdicos e acolhedores conseguem reduzir o estresse da internação, incentivar os profissionais de saúde, apoiar as famílias e os cuidadores e até diminuir o uso de anestésicos em alguns procedimentos. É por isso que desenvolvemos iniciativas como essa, em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde e com o apoio da iniciativa privada", afirmou.
Uma pesquisa de satisfação realizada pelo Instituto Desiderata em outras unidades que receberam intervenções semelhantes apontou que 86% dos entrevistados perceberam redução da dor e da ansiedade em razão da ambientação especial. Entre os profissionais de saúde, 84% relataram maior satisfação com o ambiente de trabalho.
A presidente da Chevron América do Sul para Exploração, Patricia Pradal, destacou a importância do investimento. "Acreditamos que o desenvolvimento social está diretamente relacionado à saúde e ao bem-estar da população. Por isso, apoiamos iniciativas que fortalecem a saúde pública de qualidade nas regiões onde a Chevron atua. A humanização desses espaços hospitalares deve ampliar os benefícios à sociedade, reduzindo o estresse da internação e do tratamento de crianças e adolescentes no município", disse.
Projeto arquitetônico
O projeto arquitetônico e a cenografia dos novos ambientes foram desenvolvidos pelo escritório be.bo, liderado pela arquiteta Bel Lobo. Como as enfermarias atendem pacientes com doenças respiratórias, o conceito "Florestas" foi escolhido por fazer referência ao chamado "Pulmão do Mundo", incorporando elementos naturais para promover bem-estar e reduzir o estresse da internação.
As ilustrações são da artista e escritora de literatura infantil Mariana Massarani, que criou personagens inspirados na fauna brasileira para acompanhar as crianças durante o período de internação. Presente na inauguração, Mariana explicou que a proposta era retratar uma floresta brasileira de forma leve e divertida. "Queríamos uma floresta bem desconstruída, solar. Trabalhei muitos anos em jornal e meu traço é meio cartoon, então ele acaba sendo mais alegre e simples", contou.
Bel Lobo acrescentou que as ilustrações também estimulam a imaginação das crianças. "A partir de cada desenho, você inventa uma história. Aqui tem um quati com o filhinho. A criança pode imaginar uma narrativa, tentar descobrir qual animal é. Isso ajuda a distrair durante a internação", afirmou.
Desde 1935, o Hospital Municipal Jesus é referência no atendimento infantojuvenil de média complexidade, nas especialidades clínicas e cirúrgicas, no município do Rio de Janeiro. Por mês, a unidade realiza 8 mil exames laboratoriais e 700 de imagem, 3 mil atendimentos ambulatoriais e 375 internações.






















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