Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. JairinhoBrunno Dantas/TJRJ
O aparelho acabou sendo apreendido na última quarta-feira (1º) durante uma operação realizada por policiais penais no Presídio Pedrolino Werling de Oliveira, no Complexo de Gericinó, em Bangu, Zona Oeste da capital. Segundo a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap), o celular estava escondido entre livros na cela ocupada por Jairinho.
De acordo com o Ministério Público, a análise do conteúdo poderá ajudar a esclarecer se o ex-vereador manteve contatos externos capazes de influenciar testemunhas, interferir em processos judiciais ou articular ações relacionadas a outras investigações nas quais ele figura como réu.
Na decisão, a magistrada determinou que o aparelho seja encaminhado à Divisão Especial de Inteligência Cibernética (DEIC) do Ministério Público, responsável pela extração e análise dos dados.
Pai de Henry Borel e assistente de acusação no processo, Leniel Borel defendeu uma apuração completa sobre o uso do celular dentro da unidade prisional.
“Agora precisa ser investigado até o fim: quem colocou esse aparelho lá, há quanto tempo estava sendo usado, quais mensagens foram trocadas, com quem ele falava e se houve tentativa de articulação, intimidação ou interferência em processos”, afirmou.
Leniel também classificou a presença do aparelho na cela como um problema grave dentro do sistema prisional.
“Celular na cela de um condenado por crimes tão graves não é detalhe: é privilégio, falha e risco”, declarou.
A Corregedoria da Seap informou que abrirá procedimento para apurar tanto a posse do aparelho pelo detento quanto a eventual responsabilidade de servidores da unidade.
Procurada, a defesa de Jairinho informou que ainda não foi oficialmente intimada da decisão judicial.
“Ainda não fomos intimados a respeito da decisão. Quando formos intimados poderemos nos manifestar”, disse o advogado Rodrigo Faucz.
Relembre o caso
Henry Borel Medeiros, de 4 anos, morreu em 8 de março de 2021. As investigações apontaram que a criança foi vítima de agressões e tortura dentro do apartamento onde morava com a mãe, Monique Medeiros, e o então namorado dela, Jairinho.
Em junho de 2026, após mais de cinco anos de tramitação judicial, Jairinho foi condenado a 43 anos de prisão pelos crimes de homicídio triplamente qualificado e tortura. O julgamento teve grande repercussão nacional e foi acompanhado de perto pela família da vítima e por entidades de defesa dos direitos da criança.
Mesmo após a condenação, a defesa do ex-vereador apresentou recursos buscando a anulação do júri. Segundo o Ministério Público, o conteúdo do celular apreendido poderá ter relevância para a análise desses recursos e também para outras ações penais que ainda tramitam contra ele.



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