Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. JairinhoBrunno Dantas/TJRJ

Rio - A Justiça do Rio autorizou a quebra de sigilo dos dados do celular encontrado na cela do ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, condenado pela morte do menino Henry Borel. A decisão foi tomada pela juíza Elizabeth Machado Louro, atendendo a um pedido do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ).
Celular localizado na cela do ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior - Divulgação/Polícia Penal
Celular localizado na cela do ex-vereador Jairo Souza Santos JúniorDivulgação/Polícia Penal


O aparelho acabou sendo apreendido na última quarta-feira (1º) durante uma operação realizada por policiais penais no Presídio Pedrolino Werling de Oliveira, no Complexo de Gericinó, em Bangu, Zona Oeste da capital. Segundo a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap), o celular estava escondido entre livros na cela ocupada por Jairinho.

De acordo com o Ministério Público, a análise do conteúdo poderá ajudar a esclarecer se o ex-vereador manteve contatos externos capazes de influenciar testemunhas, interferir em processos judiciais ou articular ações relacionadas a outras investigações nas quais ele figura como réu.

Na decisão, a magistrada determinou que o aparelho seja encaminhado à Divisão Especial de Inteligência Cibernética (DEIC) do Ministério Público, responsável pela extração e análise dos dados.

Pai de Henry Borel e assistente de acusação no processo, Leniel Borel defendeu uma apuração completa sobre o uso do celular dentro da unidade prisional.

“Agora precisa ser investigado até o fim: quem colocou esse aparelho lá, há quanto tempo estava sendo usado, quais mensagens foram trocadas, com quem ele falava e se houve tentativa de articulação, intimidação ou interferência em processos”, afirmou.

Leniel também classificou a presença do aparelho na cela como um problema grave dentro do sistema prisional.

“Celular na cela de um condenado por crimes tão graves não é detalhe: é privilégio, falha e risco”, declarou.

A Corregedoria da Seap informou que abrirá procedimento para apurar tanto a posse do aparelho pelo detento quanto a eventual responsabilidade de servidores da unidade.

Procurada, a defesa de Jairinho informou que ainda não foi oficialmente intimada da decisão judicial.

“Ainda não fomos intimados a respeito da decisão. Quando formos intimados poderemos nos manifestar”, disse o advogado Rodrigo Faucz.

Relembre o caso

Henry Borel Medeiros, de 4 anos, morreu em 8 de março de 2021. As investigações apontaram que a criança foi vítima de agressões e tortura dentro do apartamento onde morava com a mãe, Monique Medeiros, e o então namorado dela, Jairinho.

Em junho de 2026, após mais de cinco anos de tramitação judicial, Jairinho foi condenado a 43 anos de prisão pelos crimes de homicídio triplamente qualificado e tortura. O julgamento teve grande repercussão nacional e foi acompanhado de perto pela família da vítima e por entidades de defesa dos direitos da criança.

Mesmo após a condenação, a defesa do ex-vereador apresentou recursos buscando a anulação do júri. Segundo o Ministério Público, o conteúdo do celular apreendido poderá ter relevância para a análise desses recursos e também para outras ações penais que ainda tramitam contra ele.