Remédios apreendidos durante a operação foram encaminhados para Cidade da PolíciaReginaldo Pimenta/Agência O DIA
Além dos mandados, a especializada também pediu o bloqueio de R$ 30 milhões em contas bancárias, mais o sequestro de imóveis, veículos de luxo e outros bens e valores utilizados pelo bando para ocultar o patrimônio.
"Eles roubam caminhão e levam essa carga para dentro do Complexo da Maré, principalmente nas vilas do João e do Pinheiro. Fernanda e Umberto, presos hoje, têm a função de pagar os roubadores, armazenar os medicamentos roubados e distribuir. Eles usam transporte rodoviário, através de mulas, e por despacho aéreo, burlando as empresas aéreas com documentos falsos e criando empresas de fachadas", explicou.
Segundo Prates, o chefe do esquema é o empresário Stefano Montovani Fernandes, detido em São Paulo.
"O topo da pirâmide encontra-se em São Paulo, ele é o líder da organização, extremamente perigoso, reincidente, a família dele toda já foi presa pelo mesmo crime. Ele criou pelo menos 25 empresas fantasmas, aquelas que recebem a mercadoria roubada e a partir dali vendem para o mercado clandestino e também participam de processo licenciatório", relatou.
O delegado frisou a gravidade dos crimes, que colocam em risco a saúde pública. "As unidades públicas estão sendo enganadas e adquirindo medicamentos de origem criminosa sem saber e possivelmente ministrando esses medicamentos sem qualquer controle da sua cadeia de armazenamento e refrigeração, passando para pacientes que estão lutando contra o câncer. Identificamos hospitais oncológicos pediátricos que adquiriram esses medicamentos", acrescentou
Entenda o esquema
Investigações revelaram uma organização criminosa altamente sofisticada e violenta, especializada em roubos de cargas de medicamentos oncológicos e imunossupressores de alto valor de mercado, que seriam utilizados tanto na rede privada quanto na rede pública de saúde de todo o país, por meio de processos licitatórios na modalidade de tomada de preços.
Os agentes constataram a participação do grupo em pelo menos 20 crimes semelhantes nos últimos seis meses. As equipes identificaram ainda diferentes núcleos da quadrilha, cada um responsável por uma etapa da operação: grupo de roubadores; logístico-financeiro intermediário; logístico-financeiro final; e suporte territorial.
As investigações apontaram que cerca de 25 empresas de fachada, distribuídas entre os estados do Rio, São Paulo, Goiás e Pará, integravam a engrenagem financeira da organização e eram utilizadas para receptar os medicamentos roubados em território fluminense.
Além do Rio, os agentes atuam na capital paulista e nos municípios de Santo André e São Caetano do Sul, em São Paulo; em Goiânia, Goiás; e em Belém, no Pará.
A ação conta com o apoio de equipes do Departamento-Geral de Polícia Especializada (DGPE), do Departamento-Geral de Polícia da Capital (DGPC), do Departamento-Geral de Polícia da Baixada (DGPB), da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), da Subsecretaria de Planejamento e Integração Operacional (SSPIO), de agentes da Polícia Militar e da Rede Cargas, do Ministério da Justiça.


















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