Queda de helicóptero causou incêndio em área de mata na região da Vista ChinesaReprodução / Redes Sociais

Rio - A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) promete reforçar a fiscalização dos voos panorâmicos realizados no Rio. A medida ocorre após uma sequência de acidentes com helicópteros na cidade, sendo o último na região da Vista Chinesa, no Alto da Boa Vista na manhã de sábado (8). Quatro pessoas morreram.
A ideia é verificar as condições das aeronaves, dos pilotos e das empresas que atuam no segmento de Serviços Aéreos Especializados (SAE). A prioridade será a operação de voos panorâmicos.
A Anac também mantém contato com a Prefeitura do Rio para definir uma atuação conjunta. A iniciativa busca ampliar o controle sobre esse tipo de serviço e reforçar a segurança das operações.
As quatro vítimas do acidente do último sábado são o piloto Alessandro Rocha, de 40 anos e as turistas colombianas Rocio Cubillos, de 59 anos, Wendy Manrique, de 37, e Sofia Murillo, de 17.
A aeronave, um Robinson R44 de prefixo PP-MFS, pertencia à empresa VRP (Voos Rio Panorâmicos e Serviços Aeronáuticos). O helicóptero caiu em uma área de mata do Parque Nacional da Tijuca e provocou um incêndio.

O Corpo de Bombeiros mobilizou cerca de 40 militares, 11 viaturas e quatro unidades operacionais. Equipes especializadas em operações aéreas, salvamento e combate a incêndios florestais participaram do atendimento.

Segundo a Anac, o helicóptero estava com a certificação em dia. As causas da queda serão investigadas pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa).

Prefeitura pediu fiscalização

Após a tragédia, o prefeito Eduardo Cavaliere (PSD) solicitou uma fiscalização extraordinária à Anac. Ele também encaminhou um ofício à agência.

Cavaliere defendeu a possibilidade de suspender temporariamente os voos panorâmicos, ainda não concretizada. A medida, segundo ele, permitiria uma inspeção mais ampla das aeronaves, dos aeropontos e dos procedimentos de manutenção.
Mais de 60 vôos panorâmicos por dia
O reforço da fiscalização ocorre em um mercado que cresceu rapidamente nos últimos anos. O Rio registra em média 68 voos turísticos de helicóptero por dia, segundo o Ministério Público Federal (MPF). Entre outubro de 2025 e abril de 2026, levantamentos da Aeronáutica apontaram que 28% das operações realizadas a partir de Jacarepaguá ocorreram abaixo do limite de 500 pés (150 metros), sendo os helicópteros responsáveis por 65% das infrações.
No mesmo período, a frota da cidade avançou 29%, passando de 247 aeronaves em 2023 para 319 em 2026, de acordo com a Associação Brasileira de Aviação Geral (Abag). Entre 2024 e 2025, o MPF firmou compromissos com 14 empresas do setor para aprimorar protocolos de segurança. Entre elas estava a VRP, proprietária da aeronave que caiu na Vista Chinesa.

Dez mortos em menos de dois meses

A queda na Vista Chinesa ocorreu 55 dias após outro acidente fatal no Rio. Em 14 de junho, dois helicópteros colidiram no ar na região do Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste. As aeronaves caíram no pátio de uma concessionária. Seis pessoas morreram. Somados, os dois acidentes deixaram dez mortos em menos de dois meses.

Em janeiro, outro helicóptero caiu em uma área de mata em Guaratiba. Três pessoas morreram. Já em abril, um piloto precisou fazer um pouso forçado no mar da Barra da Tijuca. Os três ocupantes sobreviveram.
Para a advogada criminalista Lorena Pontes, o registro de mortes não significa, automaticamente, que alguém será responsabilizado criminalmente. É necessário estabelecer, por meio das provas, uma relação entre determinada conduta e o resultado.
“Em um acidente aéreo com vítimas fatais, a investigação criminal precisa responder a uma pergunta fundamental: houve apenas um acidente ou existiu uma conduta humana, por ação ou omissão, que contribuiu de forma relevante para o resultado? Não basta apontar que houve uma falha. É preciso identificar quem tinha o dever de evitá-la, se esse dever foi descumprido e se existe nexo entre essa conduta e as mortes”, explica Lorena Pontes.

Polícia aguarda laudo do Cenipa

A investigação sobre a queda na Vista Chinesa está sob responsabilidade da 19ª DP (Tijuca). A perícia já foi realizada no local. A Polícia Civil agora aguarda o laudo do Cenipa. O documento deve auxiliar na apuração das circunstâncias do acidente.

Os corpos das quatro vítimas foram levados ao Instituto Médico-Legal (IML). Exames odontológicos e antropológicos foram realizados para confirmar as identidades de cada uma das colombianas. Até o momento, apenas o corpo do piloto Alessandro Rocha foi identificado e liberado, já tendo sido enterrado.