Rio - Uma apreensão de 469 kg de cocaína no Equador, na terça-feira (11), chamou atenção pela forma como os criminosos identificaram a carga. A droga estava distribuída em 370 pacotes, que traziam adesivos com o rosto do atacante norueguês Erling Haaland, do Manchester City. O jogador foi um dos responsáveis pela eliminação da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026, ao marcar dois gols na vitória da Noruega por 2 a 1, pelas oitavas de final.
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Pacotes de cocaína com rosto do jogador de futebol Haaland são apreendidos no Equador
De acordo com a polícia equatoriana, a carga foi encontrada em um compartimento falso de uma caçamba de caminhão durante uma abordagem na província de Carchi, no norte do país, próxima à fronteira com a Colômbia. Uma mulher identificada como María R., de nacionalidade colombiana, acabou presa. Questionada pelas autoridades, ela não explicou por que a droga estava embalada com a imagem do jogador.
A associação de imagens de pessoas famosas a embalagens de drogas, no entanto, não é novidade. No Rio de Janeiro, há registros de apreensões em que jogadores de futebol, cantores e até traficantes conhecidos tiveram seus rostos usados nas embalagens de entorpecentes. Em alguns casos, a estratégia tinha como objetivo chamar a atenção dos consumidores ou criar uma espécie de identidade para a droga.
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Jogadores viram 'garotos-propaganda' do tráfico
Em 2017, a Polícia Militar apreendeu, durante uma operação na comunidade Ana Clara, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, embalagens de cocaína com a foto e o sobrenome do então atacante do Flamengo Paolo Guerrero. Na ação, também foram apreendidos 753 pinos de cocaína e 170 tabletes de maconha.
Dois anos antes, em 2015, uma abordagem da Polícia Rodoviária Federal na Rodovia Washington Luiz (BR-040), também em Duque de Caxias, terminou com a apreensão de 1,9 kg de cocaína e 559 gramas de maconha. As embalagens traziam imagens do argentino Diego Maradona, dos brasileiros Neymar e Anderson Silva e do cantor jamaicano Bob Marley.
O uso de jogadores como uma espécie de "garoto-propaganda" do tráfico já havia sido identificado pela polícia em outros pontos do Rio. Em 2011, embalagens de crack com a imagem de Ronaldinho Gaúcho, então jogador do Flamengo, foram encontradas em comunidades da capital. Em Manguinhos, adesivos traziam a frase "Ronaldinho Gaúcho, o melhor crack do mundo", em um trocadilho entre o nome do jogador e a droga.
Amy Winehouse também teve imagem usada em drogas
A estratégia não ficou restrita ao futebol. Em agosto de 2011, a Polícia Militar encontrou, em uma operação na comunidade do Mandela, em Manguinhos, na Zona Norte do Rio, centenas de papelotes de cocaína com a imagem da cantora britânica Amy Winehouse, que havia morrido semanas antes.
As embalagens traziam a fotografia da artista e o nome "Amy House". Segundo policiais, a imagem era usada para chamar a atenção e aumentar as vendas da droga.
Até criminosos famosos viram marca
Em 2018, a imagem do narcotraficante colombiano Pablo Escobar, morto em 1993, também apareceu em uma apreensão no Rio. A Polícia Federal e a Receita Federal encontraram 43 kg de pasta base de cocaína no Porto do Rio, na Zona Portuária. As embalagens traziam, além da fotografia de Escobar, logotipos de marcas de bebidas e de vestuário feminino. A carga estava em contêineres e tinha a Europa como destino.
Já em 2023, a Polícia Civil apreendeu 6 kg de pasta base de cocaína na Baixada Campista, no Norte Fluminense, com embalagens estampadas com a imagem do traficante mexicano Joaquín, o "El Chapo" Guzmán, ex-líder do Cartel de Sinaloa. Segundo a polícia, cada tablete era avaliado em cerca de R$ 100 mil.
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