O juiz Otávio Hueb Festa justificou a decisão. "A liberdade do custodiado, diante da dinâmica até então apurada, revela risco concreto de continuidade de procedimentos semelhantes e, consequentemente, de exposição de outros animais a situação de perigo."
De acordo com o processo, Daniel declarou aos policiais que é estudante do sexto período do curso de Medicina Veterinária e proprietário da clínica onde foi preso. O estabelecimento funcionava no endereço há aproximadamente dois meses. Anteriormente, ficava em uma comunidade no Caju, na Zona Portuária. O acusado utilizava número de Conselho Regional de Medicina Veterinária de outro profissional, que tem o mesmo nome.
Quanto ao procedimento realizado na gata, Daniel declarou que a anestesia teria sido realizada por uma médica veterinária e negou ter iniciado o procedimento. No entanto, admitiu ter executado os demais atos relacionados à castração, alegando que os realizou sob supervisão da referida profissional.
Questionado acerca do conhecimento dos profissionais e estagiários que atuavam no estabelecimento sobre sua condição de estudante e ausência de habilitação profissional, ele declarou que somente a veterinária tinha conhecimento dessa circunstância.
Ele afirmou ainda que os materiais, medicamentos, equipamentos eletroeletrônicos e aparelhos celulares arrecadados durante a diligência são de sua propriedade. Informou também que a clínica não possui alvará de funcionamento nem licença sanitária.
A estagiária que estava no momento da cirurgia relatou que havia sido convidada por Daniel para acompanhar a castração de um cavalo e que foi novamente chamada para assistir ao procedimento na gata. Segundo a testemunha, o homem iniciou a cirurgia, realizando corte vertical na região abdominal da felina, enquanto fornecia explicações técnicas durante o procedimento. A estudante ainda acrescentou que o custodiado teria se apresentado como ortopedista, cirurgião, neurologista e cardiologista.
Durante a audiência, Daniel alegou que foi agredido por um policial civil durante a prisão. Ele passou por exame de corpo de delito, no qual constou positivo para lesões. O laudo médico mencionou que ele torceu o joelho, "pois pisou em falso".
A reportagem tenta localizar a defesa de Daniel, mas ainda não obteve resposta. O espaço segue aberto para eventual manifestação.
Prisão
Agentes do 59ª DP (Duque de Caxias) realizaram a prisão de Daniel. Durante a fiscalização na clínica, os policiais encontraram medicamentos de uso veterinário com prazo de validade expirado expostos para comercialização, além da ausência de equipamento para esterilização de instrumentos cirúrgicos.
Segundo a corporação, ele já era investigado e continuava realizando atendimentos e procedimentos veterinários de forma irregular. Durante as diligências, os policiais também reuniram o relato de uma tutora que procurou o homem para tratar sua gata. A mulher relatou que, no dia 11 de julho, ele realizou uma cirurgia no animal e afirmou ter colocado dois pinos na perna da gata. O procedimento teria sido pago diretamente ao preso.
Nos dias seguintes, a tutora percebeu sinais de necrose na pata do animal e procurou outra clínica veterinária. Conforme o relato apresentado à polícia, exames de raio-X realizados no local indicaram que os dois pinos mencionados pelo homem não haviam sido implantados. Ainda segundo a vítima, o procedimento teria sido realizado de forma inadequada, provocando a necrose de toda a perna e levando à necessidade de amputação do membro da gata.
A corporação informou que o falso veterinário possui pelo menos 11 registros relacionados a diferentes ocorrências, incluindo exercício ilegal da profissão, falsidade ideológica, falsa identidade, estelionato, perseguição, ameaça, injúria, receptação, crimes ambientais e violação sexual mediante fraude.
O homem foi autuado em flagrante por exercício ilegal da Medicina Veterinária, estelionato, falsa identidade, maus-tratos a animal e crime contra as relações de consumo.
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