Wellington Luiz Santos de Souza é considerado foragidoReprodução
TJ expede mandado contra quinto envolvido no linchamento em Copacabana
Wellington Luiz Santos de Souza aparece nas imagens dando chutes na cabeça de Cláudio Rafael Landeiro Moreira, assassinado no último dia 11
Rio - A Polícia Civil identificou o quinto envolvido no linchamento que resultou na morte do ciclista Cláudio Rafael Landeiro Moreira, de 37 anos, em Copacabana, na Zona Sul do Rio. Nas imagens flagradas pelas câmeras de segurança, Wellington Luiz Santos de Souza, 27, aparece dando chutes na cabeça da vítima. Na manhã desta quinta-feira (27), os agentes da 12ª DP (Copacabana) foram a um endereço ligado ao foragido, em São Conrado, mas não o encontraram. As buscas seguem em andamento.
O Plantão Judiciário expediu um mandado de prisão temporária contra Wellington por homicídio. Ao presenciar o linchamento, ele teria dito que "Ladrão tem que morrer mesmo" e chutado a cabeça de Cláudio Rafael, acusado injustamente de roubar uma bicicleta.
Outras quatro pessoas estão presas pelo assassinato. Os seguranças Davi Santos Machado e Jorge Luiz Ricardo Dias, além dos entregadores Felipe Eduardo dos Santos Silva e Ailton José da Silva.
A Polícia Civil ainda investiga três pessoas: a funcionária de um bar que entregou um pedaço de pau a Davi, o responsável pela contratação dos vigias e um homem que passa ao lado das agressões sem tomar qualquer atitude. Eles prestaram depoimento na 12ª DP (Copacabana) e podem ser denunciados por participação indireta no crime.
Chefe de segurança presta depoimento
O coordenador do grupo informal de “seguranças de rua” que atuava em Copacabana revelou à Polícia Civil detalhes de como funcionava o serviço na região Cláudio Rafael foi espancado até a morte. Aluísio da Silva Filho, de 49 anos, afirmou que comandava a equipe havia mais de 25 anos, era responsável pelas contratações e escalas e admitiu que já havia recebido reclamações sobre o comportamento agressivo de Davi Santos Machado, um dos presos pelo assassinato.
Segundo Aluísio, o grupo não possuía empresa formalizada nem CNPJ. Ele afirmou que a equipe era formada por quatro integrantes (ele próprio, Davi, Jorge Luiz Ricardo Dias e um homem identificado apenas como Antônio) e que os chamados apoiadores eram contratados sem exigência de experiência, cursos, antecedentes criminais ou qualquer documentação.
O coordenador também explicou à polícia como o serviço era financiado. De acordo com seu relato, comerciantes da região contribuíam semanalmente com valores entre R$ 130 e R$ 150, gerando uma arrecadação de aproximadamente R$ 1 mil por semana. O dinheiro era dividido entre os integrantes, enquanto Aluísio recebia R$ 250 pela administração da atividade.
Apesar de atuar como responsável pela equipe, Aluísio afirmou que os seguranças não tinham autorização para abordar suspeitos, fazer revistas, reter objetos ou utilizar força física. Segundo ele, a orientação para situações consideradas graves era chamar a Polícia Militar.
Outros depoimentos
Três comerciantes ouvidos pela investigação afirmaram que pagavam cerca de R$ 120 por semana pelo serviço. Eles não são apontados como participantes diretos das agressões, mas passaram a ser investigados em razão da contratação de uma estrutura de segurança privada que, segundo os relatos, funcionava de maneira irregular.
A polícia também ouviu o filho do proprietário de um bar da região. Segundo a polícia, ele presenciou parte das agressões e afirmou que pediu insistentemente para que Davi não atingisse Cláudio na cabeça. Apesar disso, não conseguiu impedir a violência. O caso também é analisado sob a possibilidade de omissão de socorro.
Outra testemunha ouvida foi uma funcionária do estabelecimento. Segundo a investigação, ela seria a pessoa que entregado um porrete a Davi durante a sequência de agressões. A participação dela também é apurada pela polícia.
Bicicleta pertencia à irmã de Cláudio
Cláudio foi abordado na madrugada de 11 de agosto, em Copacabana, após ser acusado de ter roubado uma bicicleta. A investigação, porém, apontou que o veículo pertencia à irmã dele.
Segundo a apuração da 12ª DP, a abordagem evoluiu para uma sequência de agressões que envolveu seguranças e entregadores. Imagens de câmeras de segurança registraram parte da violência e mostram Cláudio sendo atacado mesmo depois de cair no chão.
O ciclista foi socorrido pelo Corpo de Bombeiros e levado ao Hospital Municipal Miguel Couto, mas morreu no dia seguinte. A investigação aponta traumatismo craniano e hemorragia interna como consequências das agressões.



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