Artista das multidões só em cena

Pedro Luís canta para o mundo em live hoje que marca sua estreia no Theatro Municipal de Niterói

Por O Dia

Pedro Luís faz show voz e violão no Theatro Municipal de Niterói
Pedro Luís faz show voz e violão no Theatro Municipal de Niterói -

Hoje às 20h, o cantor Pedro Luís faz sua estreia no Theatro Municipal de Niterói, num show com voz e violão. Live que pode ser assistida pelo Facebook do Theatro. Ironia das ironias para ele que ama Niterói e tem na cidade parte de sua história escrita, vai cantar e tocar no palco do majestoso teatro de 400 lugares. Sem plateia. A piada, à moda carioca, é irresistível: vai cantar para as paredes o criador do grupo "Pedro Luís e a parede (PLAP). Brincadeira. Brincadeira que só é possível pelo ótimo humor do artista, tipo de gente que fala sorrindo ao telefone, canta beijando as palavras, compõe para TV, cinema, teatro, e arrasta multidões empolgadas, como sabe quem acompanha os muitos Pedros se multiplicarem em shows o ano todo a cada ano novo. "Não vou revelar nada, mas vai ter uma homenagem à A Parede nesta live. Fiquem ligados", diz.

Esse ano quase foi igual aos agitados anos de trabalho e vida de antes. No dia 1º de março o Monobloco, que ele ajudou a fundar, como de costume desfilou fechando o Carnaval. Mais de 100 mil pessoas seguiram o cortejo. Também em março veio a bomba: pandemia de covid-19, isolamento social, quarentena, máscara pra tudo que é lado, justo depois do Carnaval passar.  "A gente tá vivendo um momento de grande desafio do modus vivendi. De repente, desarrumou tudo. Vejo como desafio poético, como desafio humanitário, como lidar com o outro, o universo mandou um recado e a gente está tendo que reaprender muitas coisas. O fato da pandemia ter vindo após o Carnaval trouxe alguns sustos. A gente só vai saber de fato se o vírus já circulava quando as pesquisas um dia conseguirem consolidar esse entendimento. Tem o susto também que é pensar: 'meu deus, se não tiver vacina até o Carnaval, que tenha a eficácia de fazer imunização de rebanho, não teremos Carnaval. Como é que vai ser isso? Como vamos lidar com a coisa tão icônica no Brasil, da qual hoje o Monobloco faz parte, algo gigante, que se multiplicou", pontua.

Fato. Fundado há 20 anos, o Monobloco chegou a fazer 90 shows por ano, dentro e fora do Brasil. A bateria conta também com instrumentistas formados em aulas. Aulas estas que continuam online. Tem gente do Rio, de São Paulo e Belo Horizonte. São 150 alunos. No Instagram do Monobloco há 53,3 mil seguidores.

Nos anos 1980 e 1990, Pedro Luís era figura carimbada em Niterói. Primeiro como integrante da banda punk Urge. "É cidade que eu adoro. Meu compadre Alexandre Porto é de Niterói e através de encontros incríveis no sítio dele na Pedra Negra conheci uma turma muito bacana no início dos anos 1990, gente que tinha a música como grande interface, ingrediente de celebração. Fossem as pessoas profissionais da música ou não. Era um ingrediente xamânico desse encontro lá na Pedra Negra. Ali eu tava largando carreira de diretor de escola de música para tomar o caminho em que vim parar. Conheci Fred Martins, Marcia Brandão, Sueli Mesquita, comadre e parceira, aliás 'Interesse', música nossa, vai estar na live".

Com a combinação de voz e violão, Pedro apresenta esta noite canções como "Deus Há de Ser", gravada por Elza Soares em seu recém-lançado disco "Deus é Mulher"; "Caio no Suingue", lançada por Pedro Luís e a Parede e sucesso com o Monobloco; "Girassol", famosa na voz do grupo Cidade Negra; "Miséria S.A.", hit do Rappa.

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