Carla Caputi estuda planejamento de medidas de proteção da economia do município Foto Divulgação

São João da Barra - Caso se confirme a implementação de medidas tarifárias, na ordem de 50%, a serem aplicadas pelo presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, a partir de 1º de agosto, o estado do Rio de Janeiro poderá ter um prejuízo de R$ 830 milhões. Entre 48 municípios fluminenses na linha dos que correm riscos de serem atingidos pelo ‘tarifaço’ norte-americano está São João da Barra.
A constatação está em levantamento produzido pelo Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional (Cedeplar), da Universidade Federal de Minas Gerais (Ufmg), que avaliou os impactos no país e em estados das regiões Sul e Sudeste. O governo estadual criou um Grupo de Trabalho (GT) para avaliação do impacto nas cidades fluminenses; São João da Barra busca um espaço.
Além da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado, fazem parte do GT representantes da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), Federação do Comércio (Fecomércio) e Associação Comercial. Diante da boa relação com a gestão estadual e as entidades envolvidas, a prefeita Carla Caputi está solicitando que o município possa acompanhar mais de perto os reflexos do ‘tarifaço’ na economia regional.
Por meio da sua chefia de gabinete, a prefeita enviou ofício ao governador Cláudio Castro solicitando que seja disponibilizada uma agenda oficial entre o município e o GT para tratar do tema de forma presencial. “O ofício que direcionamos é uma extensão do dever de casa que já estamos fazendo”, justifica Carla Caputi.
Antes do encontro, o governo municipal sugere ai estadual que formalize, com a máxima urgência, a comunicação oficial a São João da Barra “sobre os resultados preliminares e quaisquer novos estudos relativos aos impactos setoriais e fiscais, possibilitando o planejamento de medidas de proteção local”.
Outra solicitação é que o município seja incluído em eventuais reuniões ou fóruns estaduais, bem como informado previamente sobre propostas de apoio a empresas diretamente afetadas pelo ‘tarifaço’, além de ter acesso, assim que definido, a qualquer instrumento técnico ou plano de contingência, “objetivando a salvaguarda dos setores mais sensíveis à medida e da população local”.
COMPENSAÇÃO - “Temos nos reunido constantemente com a nossa equipe e seguimos avaliando com responsabilidade cada detalhe das finanças do nosso município”, ressalta a prefeita acentuando: “Com o documento, reforçamos a colaboração institucional com o estado e o nosso compromisso em apoiar políticas de compensação e ações emergenciais”.
“Também nos colocamos à disposição para contribuir no enfrentamento desta adversidade econômica”, disponibiliza Carla Caputi. Além de São João da Barra, sobretudo por conta dos setores de petróleo refinado, pesca e semimanufaturados de ferro e aço, municípios como Rio de Janeiro, Macaé, Duque de Caxias, Petrópolis e Volta Redonda estão entre os mais vulneráveis, por concentrarem também empresas exportadoras.
O secretário municipal de Fazenda, Aristeu Netto, relata que, considerando que São João da sedia o complexo portuário do Açu, que em 2024 foi responsável pela exportação de 25,2 bilhões de toneladas de petróleo bruto, correspondente a 40 % da exportação do país, e 25,014 milhões de toneladas de minério de ferro, a prefeitura reforça no ofício o seu entendimento que qualquer movimento que gere impacto na exportação dessas commodities comprometem a arrecadação do município.
Já está definido que um dos focos do GT será levantar dados dos municípios e propor ações, especialmente para médias e pequenas empresas, que têm menor capacidade de reação. Trata-se também de preocupação exposta no ofício pela gestão sanjoanense, “reconhecendo que tal impacto pode ocasionar significativas consequências sociais, incluindo perda de emprego e retração da arrecadação”.
PELO DIÁLOGO - “O município de São João da Barra acompanha com muita preocupação este cenário econômico, porque pode ter um impacto significativo com a manutenção dessas tarifas por parte dos Estados Unidos”, realça Netto enfatizando que o governo de São João da Barra “está se preparando para o impacto financeiro dessas medidas, que por ora adotadas pelos Estados Unidos possam vir a gerar para o município”.
A Firjan avalia que o Rio de Janeiro é o segundo maior estado exportador para os EUA, ficando atrás apenas de São Paulo. Em 2024, o Rio importou R$ 8,9 bilhões dos Estados Unidos; e exportou R$ 7,4 bilhões. “Em relação aos empregos formais diretos, a indústria de petróleo e gás emprega aproximadamente 40 mil pessoas no estado. Já metalurgia possui 48 mil postos de empregos diretos”.
O presidente da federação, Luiz Césio Caetano, reforça que a Firjan vê com grande preocupação a possível implementação das medidas e defende a intensificação do diálogo, da negociação em busca de uma solução satisfatória para ambos os lados. “Essa imprevisibilidade é prejudicial para todos, principalmente para as pequenas e médias empresas fluminenses”.