Por douglas.nunes

A face mais visível das distribuidoras de GLP (gás liquefeito de petróleo) no Brasil é o total de 33 milhões de botijões vendidos a cada mês, mas o setor começa a se reinventar para otimizar sua logística, diminuir custos e, ainda, fazer frente à competição do gás natural encanado. Cada vez mais presente nas operações das distribuidoras, a tecnologia abriu novas possibilidades principalmente no mercado de gás a granel, em que tanques recarregáveis de grande volume instalados em condomínios e indústrias são reabastecidos por caminhões.

Velho conhecido dos brasileiros, o botijão até 13kg ainda representa 71% do mercado nacional, em termos de volume, mas sua expansão tem acompanhado o crescimento vegetativo da população. Em busca de mercados com maior taxa de crescimento, muitas distribuidoras de GLP passaram a montar centrais de gás em empreendimentos multifamiliares, comerciais e industriais. Equipados com sensores e sistemas de telefonia celular, os tanques dessas centrais informam automaticamente ao fornecedor quando o estoque de gás cai para 30% da capacidade do reservatório. A paulista Liquigás, por exemplo, desenvolveu um sistema de medição com aferição individualizada do consumo de GLP em condomínios, com emissão da conta no ato da leitura. Fora do escopo tradicional de produtos mais conhecidos pelo consumidor, a companhia oferece um gás livre de livre de impureza, odor e umidade, desenvolvido para atender ao mercado de aerossóis, em especial aos segmentos que exigem alto grau de qualidade e limpeza, como o farmacêutico e de cosméticos.

Nas vendas a granel, o tanque instalado no empreendimento residencial, comercial ou industrial é recarregado por um caminhão da distribuidora. Divulgação

“É um setor que está se reinventando, para conseguir crescer mesmo com o avanço da máquina do gás natural”, diz Sergio Bandeira de Mello, presidente do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo (Sindigás). O impacto da entrada do gás natural no país foi sentido pela indústria do GLP em 2001, mas com a recuperação do mercado o setor atingiu patamar recorde de consumo em 2013: 7,32 milhões de toneladas.

Intensivo em logística, o negócio de distribuição de GLP incorporou aos seus processos sistemas de localização por GPS e softwares para aprimorar entregas. “A Liquigás implantou um aplicativo de otimização de suas rotas para abastecimento aos seus clientes granel. Esta aplicação é realimentada com base no Sistema Informatizado Corporativo da Petrobras para Ações de Emergência (InfoPAE) e nas operações logísticas, otimizando a roteirização”, explica o presidente da companhia, Antonio Rubens Silva Silvino.

As transformações pelas quais passa o setor também são consequência direta da mudança de hábitos do cliente. Com o aumento da concorrência entre revendedoras, diminuiu a tolerância do consumidor à espera pelo produto, especialmente no mercado de botijões até 13kg. “Fizemos uma pesquisa nacional e o prazo de tolerância foi de 17 minutos, em média. Se a demora for maior, o consumidor liga para outro revendedor”, conta Mello, do Sindigás. Num país em que 12 botijões são vendidos por segundo, atender o cliente no timing correto e com o menor custo possível significa a diferença entre lucro e prejuízo, inclusive no segmento de vendas a granel. “Além do serviço de controle de estoque e ressuprimento automático, contamos com um processo de logística digital totalmente integrado”, explica Rubem Mesquita Vieira, diretor de Desenvolvimento de Mercado da Supergasbras. “As ordens de serviço são enviadas de forma automática ao veículo mais próximo por meio de celulares ou rádios. Após o abastecimento, a nota fiscal é emitida na hora no próprio caminhão, garantindo maior agilidade no processo como um todo.”

Em vez de se apresentar como simples fornecedoras de gás, as distribuidoras trabalham para oferecer “soluções de energia”, a partir do uso do GLP, por exemplo, em lavanderias, para esquentar a água, ou em granjas, para aquecer ninhadas recém-nascidas. O controle de pragas na lavoura é, também, outro campo explorado pelas companhias do setor. Uma máquina conhecida como TPC (thermal pest control, ou controle térmico de pragas) utiliza um sistema de combustão para esquentar o ar a altas temperaturas, de forma a matar insetos, suas larvas e ovos, minimizando o uso de agrotóxicos.

Aplicativo para dar comodidade ao consumidor

Com 1.286 revendedoras espalhadas pela Região Norte do Brasil, a distribuidora Fogás desenvolveu um aplicativo para smartphones que permite ao consumidor final fazer o pedido de gás diretamente pelo celular. O aplicativo também atende ao segmento B2B (business-to-business). Em vez de serem direcionados para uma central de atendimento tradicional, os pedidos — enviados através de mensagem de texto <USTitulos>por consumidores já cadastrados — alimentam o sistema de Gestão de Relacionamento com o Cliente (CRM, na sigla em inglês) da companhia, que apenas confirma o endereço do comprador. Da distribuidora, o pedido segue para uma loja própria ou revenda da Fogás. O gás é entregue no dia seguinte sem a intervenção de atendentes. A empresa atua no Acre, no Amazonas, em Rondônia, em Roraima e na região oeste do Pará.

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