Mobilidade é a nova fronteira do e-commerce brasileiro

Tíquete médio mais alto e maior suscetibilidade às compras em smartphones atraem investimentos do setor

Por monica.lima

São Paulo - Após consolidar sua presença no comércio eletrônico, o varejo brasileiro já enxerga um novo mundo a conquistar no horizonte dos cliques virtuais: as compras via dispositivos móveis. No país, o chamado m-commerce movimentou R$ 1,13 bilhão em vendas no primeiro semestre, uma alta de 84% na comparação com um ano antes, segundo dados divulgados ontem pela E-bit. No período, a participação do segmento nas vendas do e-commerce saltou de 3,6% para 7%. De olho nesses números, as lojas virtuais estão intensificando suas estratégias na mobilidade.

“O número de dispositivos móveis é cada vez maior e os varejistas que ainda não entenderam essa mudança vão deixar de capturar parte dos R$ 2,5 bilhões que serão vendidos somente neste ano nessa plataforma”, afirma Pedro Guasti, diretor-executivo da E-bit.

Mais que a explosão das vendas de dispositivos móveis, outros fatores explicam esse movimento. “O tíquete médio tende a ser mais alto do que no e-commerce como um todo, pelo fato de haver uma maior concentração de usuários de maior poder aquisitivo”, diz Rodrigo Borer, presidente do Buscapé. Segundo o E-bit, 64% dos consumidores do m-commerce no primeiro semestre eram da classe A e B. 

O fato de o usuário de um smartphone ter acesso diário muito mais frequente ao dispositivo - na comparação com um PC ou notebook -, é outro componente dessa equação. “Essa disponibilidade faz com que o usuário seja mais suscetível ao impacto de uma ação”, diz Débora Capobianco, gerente de marketing do outlet on-line Privalia. “Mas isso exige uma estratégia diferenciada de comunicação. No nosso caso, investimos em promoções exclusivas e cada vez mais personalizadas para esse usuário”, afirma. Com 1,7 milhão de downloads de seu aplicativo, o Privalia registrou uma participação de 35% nas vendas via dispositivos móveis no primeiro semestre.

A Dafiti também está apostando nesse segmento. Com 1,7 milhão de downloads de seu aplicativo, o site já contabiliza 16% de suas visitas por meio de smartphones e tablets. Embora não revele números da participação móvel no total das vendas, Malte Huffmann, sócio-fundador responsável pela área de marketing da Dafiti diz que o número está acima dos 7% apontados pela E-Bit. “Ainda temos espaço para crescer”, diz.

O Walmart.com registrou um salto de 100% nas vendas de m-commerce no primeiro semestre. As cinco categorias em destaque no período foram TVs, smartphones, notebooks, utensílios domésticos e fraldas. “A compra móvel é muito mais social do que nos PCs. As pessoas navegam em horários de lazer, à noite, no trânsito ou quando estão com amigos e são influenciadas por essas situações. Nosso foco é ter cada vez mais produtos que se encaixem nesses contextos”, diz Paulo Sérgio Silva, diretor de operações do Walmart.com na América Latina.

Lançado em março, como uma extensão do iba – serviço de compra digital de livros, jornais e revistas, o iba Clube – serviço de acesso ilimitado a esses conteúdos – também vem registrando bons índices na mobilidade. “Os dispositivos móveis estão trazendo uma dimensão que faltava ao nosso negócio, que é a capacidade de trazer novos usuários e, o mais importante, recorrentes”, diz Ricardo Garrido, diretor de operações do iba. “Desde o lançamento, aumentamos em mais de 200% nossa venda avulsa de revistas digitais”, observa.

Para Danilo Toledo, sócio e fundador da Taqtile – empresa de consultoria e desenvolvimento de estratégias móveis -, esse interesse não está restrito aos grandes varejistas. “Mesmo as novas lojas virtuais, de pequeno porte, já estão escolhendo entrar nesse mundo pelo m-commerce. O fato de esses dispositivos serem exclusivamente pessoais e começarem a virar meios de pagamento também contribui para esse cenário”, diz. Responsável pelas ações de m-commerce de empresas como Netshoes, Extra e Casas Bahia, a Taqtile teve um crescimento de 260% no primeiro semestre.

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