Empresas locais investem em aplicativos para o Apple Watch

Ainda sem previsão para chegar por aqui, o relógio da americana já atrai projetos de brasileiras como Totvs, ZAP e Movile

Por monica.lima

São Paulo - A menos de um mês de seu lançamento, o Apple Watch é considerado por muitos especialistas como o provável marco da consolidação dos vestíveis. Embora ainda não tenha previsão de chegada ao Brasil, o relógio inteligente da Apple já movimenta as estratégias de empresas locais, que estão investindo no desenvolvimento de aplicativos e projetos relacionados ao dispositivo da companhia americana.

“Diferentemente do Google Glass, que é mais intrusivo, os relógios inteligentes trazem menos ruptura para o usuário, pois são mais fáceis de incorporar ao dia a dia”, diz Vicente Goetten, diretor do Totvs Labs, unidade de P&D da Totvs em Mountain View (EUA). “A entrada da Apple vai impulsionar a categoria, pela tradição da empresa em design e experiência dos usuários, e pelo fato de abrir a possibilidade de combinar o dispositivo com recursos como o Apple Pay”, observa.

A Totvs começou a investir nas aplicações para relógios inteligentes há seis meses, com o Moto 360, da Motorola. Logo em seguida, a empresa incorporou o Apple Watch a esse processo. O plano da Totvs é desenvolver aplicações que combinem os smartwatches e os Beacons, tecnologia que permite a interação dos usuários — por meio de dispositivos — com qualquer objeto, por meio de sensores.

O foco inicial é o segmento de varejo, no qual a companhia já desenvolve um piloto com uma grande rede brasileira, combinando beacons e dispositivos móveis. O projeto prevê uma nova fase, com a adoção do Apple Watch. O leque de aplicações inclui recursos como o envio de recomendações e avaliações de produto, e de cupons de desconto. O fato de o relógio estar sempre mais acessível ao usuário — na comparação, por exemplo, com um smartphone — é uma das vantagens. “A ideia é melhorar a experiência do cliente dentro da loja física e incentivar os varejistas a validar essa tecnologia antes dela se popularizar. Mas também enxergamos bom potencial de aplicações em outros setores, como saúde e hotelaria”, diz.

O Brasil já possui exemplos em outras frentes. O portal imobiliário ZAP Imóveis lança seu aplicativo juntamente com a chegada do dispositivo, no dia 24 de abril. O projeto integra a estratégia para acompanhar a migração dos usuários para os dispositivos móveis. “Nos últimos dois anos, essa transição andou 50% mais rápido do que tínhamos previsto. Hoje, 40% dos nossos acessos já são móveis. Ter um aplicativo para os smarwatches é fundamental, pois eles serão uma extensão dos smartphones”, diz Eduardo Schaeffer, executivo-chefe do ZAP.

O aplicativo do ZAP trará funções para os usuários e também para os anunciantes de imóveis. No primeiro caso, ele contará com recursos como os alertas de proximidade de um imóvel buscado anteriormente pelo usuário. Já os anunciantes receberão notificações quando um usuário demonstrar interesse por um imóvel da sua carteira. O portal já está em fase de desenvolvimento de uma segunda versão do app. A empresa prevê, por exemplo, estender o alerta de aproximação a imóveis que estejam dentro das características cadastradas pelo usuário em seu perfil. Outra nova função será um mapa de preços — já disponível em outros dispositivos —, que permite estimar os preços de um imóvel e de outras ofertas na mesma região. “Nossa ideia é testar todas as plataformas, o que inclui retomar nosso desenvolvimento para os relógios da Samsung”, diz Schaeffer.

Criado há dois anos, o PlayKids — aplicativo de jogos e conteúdos educacionais infantis da brasileira Movile — é mais um representante local no Apple Watch. Com um total de 10 milhões de downloads, hoje o PlayKids está disponível em seis idiomas, em mais de 100 países, numa rota de expansão que contou com o apoio da equipe da Apple no Brasil e cujo último ponto adicionado no mapa de internacionalização foi a China, em dezembro. “O Apple Watch vai levar a categoria a um outro patamar”, diz Eduardo Henrique, diretor de expansão global do PlayKids.

Ampliar os horizontes é justamente a razão por trás do investimento do aplicativo no dispositivo da Apple. Voltado a crianças de até 5 anos, a empresa enxerga no AppleWatch a oportunidade de incorporar os pais a essa experiência.

A versão para o relógio da Apple permitirá, entre outras funções, que os pais sejam alertados quando os filhos começarem a usar o aplicativo em outro dispositivo, ao mesmo tempo em que irão receber relatórios sobre os conteúdos mais acessados. “Os relógios inteligentes são uma nova mídia. Cabe a nós entendermos esse formato para criar soluções que potencializem essa tecnologia”, afirma.

Uma assinatura que vale muito

Contribua para mantermos um jornalismo profissional, combatendo às fake news e trazendo informações importantes para você formar a sua opinião. Somente com a sua ajuda poderemos continuar produzindo a maior e melhor cobertura sobre tudo o que acontece no nosso Rio de Janeiro.

Assine O Dia