O touro que habitava em Goya, Dalí e Picasso é tema de mostra

Exposição Tauromaquia, em cartaz no Museu de Arte Brasileira da FAAP, aborda as relações entre grandes artistas da pintura e as touradas

Por marta.valim

Dizer a um brasileiro que um esporte considerado violento, a tourada, que faz com que esse animal seja repleto de signos no imaginário espanhol, foi o ponto de partida para um rico diálogo artístico entre Francisco de Goya, Pablo Picasso e Salvador Dalí pode até não soar bem. Entretanto, quando se atenta para os múltiplos significados expressos por essa figura tão presente naquele país, torna-se mais fácil compreender a fonte de inspiração.

As múltiplas relações entre as obras de alguns dos artistas mais importantes da pintura e os diversos sentidos que o animal e o espetáculo assumem na arte são o tema da exposição “Tauromaquia”, em cartaz no Museu de Arte Brasileira da Fundação Armando Alvares Penteado (MAB-FAAP).

A mostra reúne variadas obras e séries, que totalizam cerca de 300 imagens, incluindo desenhos originais e gravuras de artistas consagrados. Algumas delas chegam ao Brasil pela primeira vez. Entre elas, o estudo de Picasso para uma de suas mais famosas obras, a Guernica. Um prato cheio para os apreciadores da arte.

As touradas são o elo mais evidente entre as obras. Em ordem cronológica, o primeiro a retratá-las é Goya. Entre 1814 e 1816, ele cria uma série – que leva o mesmo nome da exposição –, na qual explora as questões artísticas da tourada, como os movimentos, luz e sombra. A professora Maria Izabel Ribeiro, diretora do MAB-FAAP, explica que Picasso era um apaixonado pelas touradas. No fim dos anos 50, ele homenageia um toureiro famoso, conhecido como “Pepe Hillo”, que escreveu um tratado sobre touros, em 1796, com o mesmo nome: Tauromaquia. O artista resolveu ilustrar o tratado, retomando, artisticamente, a obra de Goya. É dessa maneira que se estabelece o diálogo entre os pintores. Salvador Dalí, que também gostava do esporte, retoma o tema nos anos 1960, com referências a Picasso no traçado ágil e no movimento.

Obra Tourada No. 3 de Salvador Dalí%2C de 1965Divulgação

Contudo, apesar das aparências, a tourada não é o único tema presente na exposição, como faz questão de ressaltar Maria Izabel. “Existem diversas filiações artísticas para o touro. Na Guernica, por exemplo, é explorada uma imagem mais instintiva do touro, naquela perspectiva de dor e urro que é apresentada. Em outro momento de Picasso, o animal é retratado de maneira disforme, como um monstro, antropomorfizado. A obra possui uma conotação política, em que ele associa essa fúria ao regime franquista. Logo, a mostra não é sobre tourada, mas sobre o touro e seus vários significados. O animal é retratado como uma força primitiva, um símbolo de virilidade, a imagem da dor, a força da natureza e uma configuração da barbárie. Há vários significados e identidades, além, claro, dessa conversa artística”.

Um dos destaques da exposição é um exemplar original da “Guernica”. A professora explica que trata-se de um “cartão”, como é chamado na linguagem técnica, feita por Picasso para um ateliê francês que desejava reproduzir a obra em série. O singelo desenho possui as dimensões originais, de 349 centímetros de altura, por 777 de largura.

Antes de chegar ao Brasil, “Tauromaquia” passou pela Polônia e República Tcheca. Maria Izabel comenta que a sala em formato oval chamou a atenção das curadoras Monika Burian Jourdan e Serena Baccaglini, pois sugere uma arena de touradas. O público paulista poderá conferir a mostra até 22 de junho.

Circuito de jazz na Virada Cultural de SP

São Pedro resolveu dar uma forcinha para quem deseja aproveitar as atrações da 10ª Virada Cultural de São Paulo. A tarde quente de sábado será sucedida por uma leve queda na temperatura, mas que não deve fazer os paulistas tirarem os agasalhos do armário. A chuva preocupa mais no domingo, quando deve cair com intensidade fraca, mas sem atrapalhar o evento.

Em meio às mais variadas atrações, que vão do funk à música clássica, o jazz terá espaço garantido. No Palco República, o aclamado guitarrista americano Stanley Jordan se apresenta ao lado de Dudu Lima Trio, um dos expoentes da música instrumental brasileira. Em recentes apresentações no Brasil, a dupla apresentou versões instrumentais de composições de bandas consagradas, como Beatles e Led Zeppelin, além de artistas brasileiros, como Milton Nascimento. Eles se apresentam às 20h.

Os fãs nem terão tempo para descansar, pois às 22h, no mesmo palco, será a vez de Paul Jackson Trio, que participou em vários álbuns de Michael Jackson. No dia seguinte, o trompetista brasileiro Guizado interpreta o álbum “On The Corner”, de Miles Davis. Ele se apresenta no Palco Rio Branco, às 9h de domingo.

Para encerrar o circuito, nada mais adequado do que um grupo paulista. Às 14h, o Jazz Sinfônica do Estado de São Paulo apresenta um repertório com a essência do jazz, misturando trilhas sonoras com composições como Caymminiana, em homenagem ao centenário de Dorival Caymmi, e Estrepolia Elétrica, de Moraes Moreira. Fábio Prado regerá a orquestra.

Festival de Circo, cinema francês e Casuarina no Rio de Janeiro

Este será o último fim de semana para conferir diversos eventos no Rio de Janeiro. O 2º Festival Internacional do Circo, que exibe 50 atrações nacionais e internacionais, desde o dia 9, termina na segunda-feira. Entre as principais atrações dos últimos dias estão o espetáculo “Teia”, na Cidade das Artes, e “Le Cirque Démocratique de la Belgique”, espetáculo belga, no Parque Lage. A programação completa está no site festivaldecirco.com.br.

No CCBB, os fãs do cinema francês poderão conferir, até domingo, a mostra “O Cinema de Pierre Etaix”, com entrada franca. Ela apresenta filmes do diretor, ator e roteirista cuja obra teve exibição proibida durante 20 anos, devido a uma briga judicial. Uma geração de cinéfilos perdeu a oportunidade de assistir ao seu trabalho, apesar do esforço internacional.

Entre sexta-feira e domingo, o grupo Casuarina apresenta o show “100 anos de Dorival Caymmi”, na Caixa Cultural, no Centro do Rio. Em cada apresentação, a banda recebe um convidado diferente. Entre eles, Alice Caymmi, neta do compositor baiano. O repertório terá arranjos novos e originais. Os shows estão marcados para às 19h, e o ingresso custa R$ 20 (inteira).

NOTAS

IMS Rio traz mostra de cineasta chinês

A partir desta sexta-feira, o cinema do Instituto Moreira Salles do Rio exibe uma mostra dedicada ao chinês Wang Bing, considerado um dos principais nomes do documentário contemporâneo. A entrada custa R$ 16(inteira), e pode ser adquirida no site Ingresso.com.

Últimos dias de “Finos Filmes Curtos” em SP

O festival apresenta uma seleção especial neste sábado. Serão exibidos os curtas que compõem a “Fina Seleção dos Curadores”. Entre eles, obras brasileiras, gregas e israelenses. No Centro Universitário Maria Antonia, a exibição começa às 16h. No MIS, às 17h.


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