Por Mariana Pitasse (mariana.pitasse@brasileconomico.com.br)
A hora no almoço no centro do Rio de Janeiro pode ir além da contemplação dos prédios com diversos estilos arquitetônicos e, com um pouco de sorte, um solo de saxofone nas imediações da estação Carioca do Metrô. A região central da cidade inclui diversos espaços culturais, teatros e museus. Da Cinelândia à Rua Primeiro de Março, as alternativas efervescem nos mais diferentes horários, inclusive o de almoço. A programação disponível inclui apresentações de música clássica, com destaque para o Theatro Municipal do Rio de Janeiro e o Centro Cultural do Banco do Brasil, além de exposições de arte no Paço Imperial, na Caixa Cultural ou no Centro Cultural dos Correios. Com esse breve roteiro, a falta de tempo não é mais desculpa para adiar a visita.
Para abrir o apetite cultural, nada melhor que iniciar o rápido passeio pelos restaurantes. Abastecida de ótimas opções, a região central abriga alguns dos principais endereços da cidade. Entre as alternativas está a tradicional Confeitaria Colombo. Localizada na rua Gonçalves Dias, ao lado da Av. Rio Branco, seu espaço com mais de cem anos de história tornou-se símbolo máximo da belle époque da cidade. Além de ser recheada de história, a Colombo inclui em seu cardápio um buffet (R$ 87) na hora do almoço, de segunda a sábado, com destaque para o bacalhau servido às sextas-feiras, acompanhado de salada e sobremesa.
Em paralelo, outra ótima opção é conferir a culinária internacional contemporânea do Laguiole. Com uma das maiores adegas da América Latina, o restaurante está no Museu de Arte Moderna do Rio, no início do Aterro do Flamengo. No cardápio assinado pelo chef Ricardo Lapeyre, filho do renomado chef francês Claude Lapeyre, o destaque é a Trilogia de Cordeiro, prato com costeleta grelhada, lombo enrolado em couve-manteiga, paleta crocante, mousseline e dauphine de baroa (R$ 86). Aproveitando a passagem pelo espaço do MAM, vale espiar a exposição “Arjan Martins — Américas”, que fica em cartaz até 24 de agosto. Com trinta obras, a mostra se sobressai como a primeira individual do artista carioca.
Entre as exposições em cartaz está “Futebol no Campo Ampliado” no Paço Imperial, na rua Primeiro de Março. Reunindo oito maquetes de estádios de futebol fictícios, ela estende a temática da Copa do Mundo até 10 de agosto. Logo ao lado, vale conferir a exposição “J. Carlos em Revista”, que abre na próxima quarta-feira, dia 30, no espaço expositivo do Centro Cultural dos Correios. Em formato de retrospectiva, o local reúne trabalhos de um dos mais originais caricaturistas brasileiros. Atrás da Primeiro de Março, na Visconde de Itaboraí, a Casa França Brasil exibe um dos módulos da mostra “Artevida” até 21 de setembro, em que o corpo é o protagonista.
O CCBB, por sua vez, apresenta uma mostra retrospectiva recheada de detalhes criados por Salvador Dalí. Além da exposição, o centro cultural cede espaço ao projeto “Música no Museu”. Como última atração da temporada marcada para quarta-feira, dia 30, o pianista Cláudio Vettori apresenta um programa com Beethoven e Mozart.
A alguns quarteirões, na Cinelândia, o Theatro Municipal também apresenta opção de música clássica no projeto “Ópera do Meio-dia”. No espetáculo, solistas do coro do Theatro tocam “As Bodas de Fígaro”, de Mozart, também na quarta-feira, dia 30. Logo ao lado, na Almirante Barroso, a Caixa Cultural exibe “A Magia de Miró, Desenhos e Gravuras”, com 69 obras do artista espanhol, a partir de terça-feira, dia 29.
Aloisio Magalhães ocupa o Itaú Cultural, em São Paulo
Um dos mais importantes designers brasileiros, o pernambucano Aloisio Magalhães invade o espaço expositivo do Itaú Cultural a partir de amanhã. Em formato de restrospectiva, a “Ocupação Aloísio Magalhães” apresenta o legado deixado pelo artista por meio de 70 obras. Com curadoria de João de Souza Leite, que foi assistente do homenageado, a mostra traz o pioneirismo do artista no campo do design moderno, além de apresentar sua visão política, preocupada com o desenvolvimento social e econômico brasileiro.
Dividida em sete eixos temáticos — “Aloisio Magalhães”, “Um Designer em Três Tempos”, “Aloisio, Artista Plástico”, “O Gráfico Amador”, “Uma Linguagem Experimental”, “Aloisio Magalhães, Designer”, “As Possibilidades do Objeto Impresso” e “A Cultura como Objeto de Ação Política” —, a exposição apresenta as fases do artista em formato de uma linha do tempo.
Com início nas pinturas, gravuras e aquarelas, a mostra exibe como destaque um pedaço de sua produção que resultou de sua vivência nos Estados Unidos, compartilhada com o artista gráfico Eugene Feldman. Há ainda um espaço dedicado ao campo da cultura formal: a constituição do Centro Nacional de Referência Cultural e seu desdobramento nos mais variados projetos, além de imagens e textos dele.
ONDE ASSISTIR
De 26 julho a 24 de agosto no Itaú Cultural, que fica na Avenida Paulista, 149, na Estação Brigadeiro do Metrô, em São Paulo.
Mostra debate performances de arte, em São Paulo
Para discutir questões relacionadas às práticas de documentação e registro de ações, por meio de fotos, vídeos, partituras e proposições, a mostra de performance e arte “VERBO” apresenta sua 10ª edição na Galeria Vermelho, em São Paulo. Pautada pelo seminário “VERBO Conjugado”, o evento discute a autonomia da performance ao longo do tempo e seu status de relevância na arte contemporânea.
Entre as próximas performances apresentadas ali estão “Manually”, de Hugo Nadeau, além de “Later will be too late”, de Nina Glockner, na terça-feira, dia 05, às 20h. Já o seminário, mediado pelo diretor artístico da mostra, Marcos Gallon, apresenta em sua próxima reunião a mesa “Onde está a obra de arte? Onde está o artista?”, com a participação da galerista Jaqueline Martins e do artista e professor universitário Mario Ramiro. A discussão acontece na próxima quinta-feira, dia 31, às 20h. A Galeria Vermelho fica na rua Minas Gerais, 350, Higienópolis, em São Paulo.
NOTAS
Alceu Valença no Festival de Gramado
“A Luneta e o Tempo”, filme dirigido por Alceu Valença, fará parte da mostra do 42º Festival de Gramado, que acontece de 08 a 16 de agosto. O longa conta a história da desavença entre dois irmãos ao longo de três gerações e tem como pano de fundo o sertão nordestino.
’A Batalha de Argel’ chega às lojas em DVD
“A Batalha de Argel” (1965), de Gillo Pontecorvo, compõe desde a última semana o acervo de DVDs com selo do IMS. Apresentando eventos da guerra pela independência da Argélia, o longa mostra alguns marcos da libertação das colônias europeias na África.
‘Retratos’ em cartaz na Sede das Cias, no Rio
A obra da artista americana Cindy Sherman é o ponto de partida do solo de dança-teatro “Retratos”. A peça estrelada pela bailarina Carolina Cony, sob a direção de Cristina Moura, está em cartaz na Sede das Cias, que fica na Escadaria Selarón da Lapa, no Rio.