Por daniela.lima

Rio - O desejo de liberdade, o mar e o compositor Dorival Caymmi foram a inspiração do quarto livro da carioca Mirna Brasil Portella. Escrito há três anos e lançado no mês passado, ‘Do Mar’ (Editora Escrita Fina, 56 págs., R$ 42) nasceu de uma música homônima que a autora compôs e registrou em vídeo no YouTube. “Achei que a música dava uma história. Quando comecei a escrever, fui encontrando o universo de Caymmi”, conta Mirna. 

Mirna Brasil Portella escreveu a história a partir de uma cançãoarquivo pessoal


Com ilustrações do francês Laurent Cardon, o livro conta a história de uma menina, Maria do Mar, que vive em uma aldeia de pescadores. Enquanto o pai sai de barco para pescar e fica muito tempo fora de casa, ela sonha com o dia em que também vai partir e conhecer o mundo.

“Maria tem um pouco de mim. É uma história feminina e libertária. Meus livros têm sempre essa questão da liberdade, de se atirar no mundo. Acho que é uma coisa de quem viveu em cidade pequena e sempre teve o desejo de partir, como eu”, diz.

Filha de um médico pernambucano e uma dona de casa acreana, Mirna, de 40 anos, nasceu no Rio de Janeiro, mas morou até os 10 em Rio Branco, no Acre, para onde se mudou ainda pequena. Quando passava férias aqui, só fazia programas culturais. “Nunca ia à praia no Rio. Minha referência era o mar do Nordeste, para onde a gente também viajava nas férias. Um mar com tom de verde-esmeralda”, explica.

Apesar de receber a classificação de infantil, Mirna acredita que o livro sirva para todas as idades. “Tem uma narrativa que a criança consegue acompanhar e construir boas imagens. A ilustração não é infantiloide. A história tem uma passagem levemente erótica, quando Maria encontra o amor e faz sexo. Mas a criança nem percebe essa cena, é muito leve.”

A obra também traz a partitura da música ‘Do Mar’, que deu origem à história e foi feita em homenagem ao centenário de Caymmi. “Componho desde os 9 anos. Meus livros são sempre muito musicais. A música me levou para a literatura. É poesia cantada”, diz Mirna, que se define como uma “cantora de chuveiro”.

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